Ernane pede ajuda ao Governo do Estado para reconstruir pontes destruídas

Costa Norte
Publicado em 04/03/2016, às 11h54 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h04

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*Foto: Ricardo Faustino

Por Marina Veltman

Em entrevista coletiva realizada na quarta-feira, 2, o prefeito de São Sebastião Ernane Primazzi  afirmou que nunca na história de São Sebastião o município registrou um volume tão acentuado de chuvas, como ocorrido no início da semana passada, quando o índice pluviométrico alcançado foi de 242ml. “Nunca tivemos mais de 200ml. É uma quantidade de água muito grande para bairros muito estreitos, já que temos uma geografia peculiar, com o morro muito próximo do mar. É muita água nessa pequena bacia”, conta Ernane.



O prefeito destacou que, nos últimos cinco anos, o volume de águas das chuvas vem crescendo, em decorrência de mudanças climáticas, e que tal fator, somado ao aumento da pavimentação no município, tem criado o agravante dos alagamentos. “Nós pavimentamos muitas ruas, uma demanda da comunidade, mas que, como consequência, dificulta a absorção. Somado ao aumento da ocupação e à maré alta, que dificulta o escoamento desse enorme montante de água que tem caído, as enchentes se tornam inevitáveis. Não existe uma fórmula mágica para resolver isso”.

De acordo com Ernane, as chuvas da semana passada desalojaram 26 famílias. Dessas, 23 já retornaram às suas residências e as três restantes estão sendo atendidas pelo CRAS – Centro de Referência e Assistência Social.  Além disso, um desabamento na Tropicanga, em Boiçucanga, costa sul do município, resultou na morte de um casal. Os dois filhos da família foram resgatados com ferimentos leves. “Tivemos 70 pessoas que sofreram perdas materiais e duas vidas perdidas, infelizmente. Nossas assistentes sociais estão visitando as famílias para organizar o repasse de doações e auxílios a essas pessoas em necessidade”.

De acordo com Ernane, uma solução definitiva para essas famílias seria a remoção para um conjunto habitacional, mas que o processo estaria estagnado no governo do estado.  “Definimos uma área em Cambury que poderia receber a construção de cerca de 500 a 600 unidades habitacionais, atendendo não apenas a essas famílias, mas a outras em situação de risco. Da nossa parte, tínhamos que aprovar uma legislação específica, modificando o zoneamento da área, o que já foi feito. Depois, o estado teria que realizar a desapropriação, o que ainda aguardamos que aconteça”.



Segundo apontado, levantamento da Defesa Civil demonstra que os bairros mais afetados pelas chuvas foram Boiçucanga, Cambury, Barra do Sahy e Juquehy, todos na costa sul sebastianense. “Os bairros da costa norte tiveram alguns pontos de alagamentos, mas nada mais grave”, apontou.

De acordo com o prefeito, com exceção ds escola em Juquehy, que sofreu desabamento, e das três pontes da costa sul que foram levadas pelas águas (veja matérias nesta página), o restante dos serviços públicos, como reparo na pavimentação, limpeza de vias de todos os bairros afetados etc., devem retornar à normalidade em cerca de 30 dias.

Escola desaba e 600 ficam sem aulas



O prefeito Ernane Primazzzi  informou em coletiva que cerca de 600 alunos da escola de Juquehy estão sem aulas em decorrência de desabamento de oito salas da unidade, localizada no bairro da costa sul do município. “Essa escola foi construída em local inadequado, instalada em um recorte no morro e sobre uma nascente. Não sabemos ainda se teremos que demolir todo o colégio ou se podemos reformá-lo. Aguardamos um laudo técnico para saber como proceder”.

Ele adiantou o prefeito que  tal laudo está sendo elaborado por especialistas da construtora Queiroz Galvão, que, após ser acionada pela prefeitura, se dispôs a auxiliar a municipalidade. “Eles têm um departamento especializado em avaliação de solo e desabamentos e irão fazer a análise. Não sabemos se a estrutura da escola foi afetada, comprometendo tudo, ou se apenas as salas destruídas precisarão ser reconstruídas. Devemos ter isso na semana que vem, definindo então o que será feito”.

Enquanto isso, os cerca de 600 alunos atendidos nos dois períodos nas salas com desmoronamento seguem sem aulas.  “Se não tiver como resolver, teremos que temporariamente locar salas em contêineres para atender esses alunos. Com sorte, dentro de 20 a 30 dias eles estarão em aula novamente, mas dificilmente antes disso, já que tem uma burocracia a ser seguida na aquisição. Já a definição de construção de nova escola, ou de novas salas, tomará um pouco mais de tempo”, afirma Ernane.



Repasse do governo é aguardado

A prefeitura de São Sebastião pediu ajuda ao governo do estado para conseguir realizar o reparo nas três pontes perdidas durante as chuvas da semana passada: duas em Maresias e uma em Barra do Una, bairros da costa sul do município. Em coletiva à imprensa realizada na quarta-feira, 2, o prefeito Ernane Primazzi  informou que enviou um ofício ao governador Geraldo Alckmin, apelando pelo auxílio ao município, na forma de repasses. “Estimamos que sejam necessários cerca de R$5 a R$6 milhões para consertar as três pontes, considerando que uma delas é particularmente grande. Não temos como arcar com esse reparo sozinhos”, adiantou o prefeito.

Ernane afirmou que outros repasses estariam em atraso, esperados desde 2013. “Quando tivemos um estado de emergência, três anos atrás, o governador prometeu um repasse de R$1.9 milhão ao município. Infelizmente, em decorrência de burocracias e tecnicidades, a verba não foi liberada até o momento. Encaminhamos um projeto feito às pressas, em decorrência das emergências, e depois foram necessárias alterações, o que emperrou as liberações. Depois, a empresa contratada acabou inserindo, pelo mesmo custo aprovado, a utilização de mais material do que o apontado inicialmente. Como normalmente não se gasta mais sem cobrar por isso, eles ficaram surpresos, e pediram vistas novamente”.



De acordo com Primazzi, a verba só seria liberada imediatamente caso o município decretasse estado de calamidade, o que não seria possível de ser feito no momento. “Eles exigem que se comprove que 2,8% do orçamento do município estão comprometidos. Não temos como parar os atendimentos de socorro e emergências para fazer esse levantamento. Precisamos de um posicionamento urgente se eles irão ou não nos auxiliar. Caso contrário, teremos que fazer reparos temporários para atender a população, em vez de iniciar a construção de pontes em definitivo, o que seria o ideal”.

Estradas e desmoronamentos

Já com relação às recorrentes quedas de barreiras nas estradas e nas encostas, Ernane afirma que a responsabilidade de manutenção e prevenção é do estado e do DER – Departamento de Estradas e Rodagem, e que a prefeitura não tem autorização para intervir. “No caso dos desmoronamentos, por serem casas construídas dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, quem pode interferir é o governo. A prefeitura efetuou algumas demolições de prevenção, mas não temos como assumir essa responsabilidade.”



Já em relação às estradas, o prefeito informa que, nos últimos dois anos,  o DER não teria realizado nenhuma medida de reparo e prevenção de queda de barreiras em decorrência da espera de obras futuras. “Eles dizem que somente após o término das obras do contorno sul irão passar a investir na Rio-Santos, inclusive com duplicação de trechos e outras coisas programadas. Mas pararam de realizar qualquer ação na via antes disso”. Ernane ressaltou, porém, que o DER encaminhou maquinários para realizar as desobstruções das vias afetadas com as chuvas, e que os locais já estão com a circulação liberada. “Normalmente, nós ajudamos nesse processo, para que seja rapidamente garantida movimentação nas estradas, mas dessa vez o nosso pessoal estava  atendendo as emergências, então o DER realizou o serviço sem nosso auxílio”.