Costa Norte
Publicado em 06/05/2016, às 10h43 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h10
*Foto: Celso Moraes /CMSS
Com a ordem do dia sem projetos a ser votados, a sessão da Câmara de São Sebastião da última terça-feira, 3, foi marcada novamente por discussões, envolvendo a dificuldade de trabalhadores da construção civil do município em conseguir emprego na região. Na presença de cerca de 30 membros da Associação dos Trabalhadores da Construção Civil e Industrial de São Sebastião (ATCCI-SS), o vereador Gleivison Gaspar (PMDB) discursou indignado com o anúncio recente de concurso público da prefeitura de Caraguatatuba, que trouxe entre as exigências para inscrição, a obrigatoriedade de ser residente no próprio município.
Disse ele: “Enquanto nós, em resposta a um pedido da Câmara de Caraguá, adaptamos nossa lei para incluí-los na cota regional de 70% de obrigatoriedade de mão de obra local, eles, além de não fazerem a mesma alteração na lei similar deles, agora lançam esse concurso, deixando de fora nossos trabalhadores”. Ele foi apoiado pelo colega Marcos Tenório (PSC): “Eles usaram a mesma redação da lei como base, pediram a nossa alteração, nós fizemos e eles não. Esse tipo de postura só prejudica a relação entre as cidades e os nossos trabalhadores”.
O vereador e advogado Onofre Neto (DEM) afirmou que, salvo alguns cargos específicos da área da saúde, é ilegal a qualquer concurso essa delimitação por base domiciliar. “Não sendo para essas exceções de saúde, isso é inconstitucional”. Reinaldo Moreira (PSDB), o Reinaldinho, tentou apaziguar, destacando que abordar esse tema na casa inflamaria a discórdia entre as cidades, e que o melhor seria tentar trabalhar isso em ação entre as câmaras e prefeituras.
Sebastião Vieira de Souza, o Tião, presidente da ATCCI-SS, subiu à tribuna para falar das dificuldades encontradas pelo segmento. Segundo exposto, as contratações efetuadas pela Queiroz Galvão, por meio do PAT – Posto de Atendimento ao Trabalhador - estariam muito desorganizadas, não levando a resultado nenhum. “É inútil deixar currículos lá. Eles acabam chamando moradores que adquiriram experiência em outras cidades e residem há pouco tempo em São Sebastião”. O presidente defendeu uma prioridade para residentes antigos do município e para os associados, e que o envio de currículos pudesse ser feito diretamente pela associação, o que garantiria, segundo Tião, maior transparência e agilidade.
O trabalhador ainda criticou a postura da Câmara, que segundo ele, “discute muito sobre o tema mas não faz nada de concreto, enquanto nossos trabalhadores continuam sem salários e sendo hostilizados nas cidades vizinhas”, e ameaçou paralisar o porto caso, na próxima semana, pelo menos alguns dos associados não consigam emprego na zona portuária.