Empresas exigem escolaridade mínima comprovada até mesmo para braçais

Costa Norte
Publicado em 10/06/2011, às 14h33 - Atualizado em 23/08/2020, às 13h17

- Costa Norte


O mercado de mão de obra está cada vez mais exigente com relação ao nível de escolaridade dos trabalhadores, mesmo que estes não tenham qualificação profissional. É o que atestam as ofertas de vagas feitas pelas empresas por intermédio do PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) de Cubatão. Na mais recente dessas listas, divulgada dia 08, por exemplo, são solicitados 10 serventes e 1 auxiliar de serviços gerais e a exigência é de que tenham ensino fundamental concluído, ou seja, no mínimo, 9 anos de escolaridade. Este tipo de emprego, até há alguns anos, era destinado a pessoas de baixo ou nenhum nível de alfabetização.

O mesmo verifica-se com relação a trabalhadores qualificados dos quais, antes, exigia-se somente experiência e habilidade. A oferta de vagas do dia 8 relaciona 40 pedreiros, 63 encanadores, 5 marteleteiros, 70 montadores de andaimes, 6 ajudantes de calçamento, 20 armadores e 15 carpinteiros. E as empresas não exigem, apenas, que o trabalhador saiba ler e escrever. Querem comprovação disso, ou seja, certificado de conclusão do ensino fundamental.

Os motivos



Mais eficiência e segurança são os principais motivos da exigência de escolaridade mínima, mesmo para trabalhadores braçais, segundo as empresas. Um trabalhador que completou o ensino fundamental está mais apto a entender instruções de trabalho; a lidar com ferramentas, máquinas e equipamentos (que trazem instruções de uso por escrito) e de identificar avisos de segurança. Aqueles não-qualificados reúnem mais condições de se profissionalizar e progredir funcionalmente dentro da empresa.

Programas

O trabalhador de Cubatão – assim como de outras cidades da região –, que pretende concluir o ensino fundamental, a médio prazo e, assim, habilitar-se ao mercado de trabalho, pode recorrer a programas mantidos pela Secretaria Municipal da Educação. São eles: serviço do EJA (Educação de Jovens e Adultos) e o Brasil Alfabetizado (este em convênio com o Ministério da Educação).



Segundo o último censo do IBGE, 9,06% da população de Cubatão, que é de 121 mil habitantes, não sabem ler, nem escrever.

EJA:

Destina-se a quem tem algum nível de escolaridade e pretende concluir o ensino fundamental. Curso é oferecido à noite, em caráter supletivo.



Brasil Alfabetizado:

É para beneficiários do programa de transferência de renda Bolsa Família, porém, demais interessados também podem participar.