Costa Norte
Publicado em 19/07/2013, às 19h11 - Atualizado em 23/08/2020, às 14h03
Por Washington Luís Brito
O presidente da Câmara do município, vereador Wagner Moura dos SantosUm dos sequestros mais longos da Baixada Santista, nos últimos tempos, foi encerrado segunda feira (17), em Cubatão, com a prisão dos acusados. As vítimas – duas jovens de 16 e 21 anos – são filhas do presidente da Câmara do município, o vereador Wagner Moura dos Santos. Depois de quase 40 dias em poder dos bandidos, elas foram libertadas ilesas, domingo passado (14). Os sequestradores, um adolescente de 17 anos e dois maiores, efetuaram o roubo e o sequestro das meninas no início da tarde do dia 6 de junho. Conforme relato do delegado Aldo Galiano Júnior, diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter-6), todo o modus operandis do crime de extorsão mediante sequestro mostra que uma família estaria envolvida na ação. Causou enorme surpresa a lista entregue à imprensa com o nome de Jacira Nogueira Clementino, que trabalha na Secretaria de Esportes de Cubatão, sua irmã, sobrinho e Karina Clementino. O resgate pago foi de R$ 202.000,00, feito às 4h30 da manhã do último sábado (13), por Wagner Moura, em uma trilha na cidade de Mongaguá, dentro de um cesto de lixo. As meninas foram soltas após caminharem por mais de três horas e meia pela mata da serra e deixadas de carro – um Siena – no M 49 da via Anchieta. Foram recuperados R$ 54.350,00 do dinheiro pago. Apreensões Cerca de 28 cartões, uma faca e dois revólveres foram apreendidos. Essa semana, Wilson dos Santos, o Neco, um homem extremamente conhecido na cidade, foi preso e, segundo os policiais, ele tem participação importante nesse caso. Neco teve problemas com o atual presidente da Câmara de Cubatão, durante sessões ordinárias realizadas no plenário da Casa. Ele se diz inocente, e confirmou na delegacia que tudo seria “uma armação contra ele”. O caso As irmãs foram sequestradas na manhã do dia 6 de junho, no bairro Vila Nova, em Cubatão. Três homens teriam invadido a casa da família, onde estavam somente as duas jovens. Os bandidos roubaram alguns objetos e levaram como reféns as filhas do presidente da Câmara do município. Depois de 38 dias em cativeiro, elas foram encontradas pela Polícia Rodoviária na altura do km 49 da pista sul da rodovia Anchieta, no domingo (14). As vítimas estavam debilitadas, uma delas gripada e perguntando pelo pai e a mãe. Elas foram levadas para um hospital em Santos. Durante o andamento do sequestro, os bandidos prometeram, segundo a polícia, mandar pedaços das vítimas aos familiares. Debilitadas Segundo detalhou Fábio Moura, o irmão de Wagner, quando soltas, as meninas encontravam-se muito debilitadas, com as roupas sujas, já que ficaram 38 dias sem tomar banho. Elas se revezavam com uma única escova de dente e se alimentavam apenas de arroz e carne seca. Na manhã da segunda-feira (15), em São Vicente, dez suspeitos foram presos. A polícia acredita que 14 pessoas, ao todo, façam parte da quadrilha de sequestradores. O caso é acompanhado pela Delegacia Especializada Antissequestro (Deas), de Santos.
Em coletiva, Wagner Teixeira falou sobre o caso
Ao falar pela primeira vez sobre o fim do sequestro de suas duas filhas, na quarta-feira (17), o presidente da Câmara de Cubatão, vereador Wagner Moura dos Santos agradeceu a todos pelo silêncio da informação até a solução do sequestro. Ele também provocou emoção ao contar alguns detalhes do caso e de quando encontrou as filhas. ''Quando elas desceram do carro, disseram: 'Pai, nós te amamos'. E eu disse: ‘eu não abandonei vocês”, lembrou, em lágrimas. Wagner foi avisado pela socorrista Zilda, do Samu, que suas filhas estavam soltas e sendo medicadas. Também estavam presentes na coletiva, os irmãos do vereador, Dedé e Fábio, sentados ao lado. Fábio disse que as orações de todos de Cubatão o fizeram ficar em pé. Também destacou que, a partir de agora, dá mais valor a ficar mais perto da família, de Deus. "Isto foi um recado de Deus". Ainda foi enfático ao dizer que Cubatão é a cidade da impunidade e que conheceu uma verdadeira polícia, destacando principalmente o chefe dos investigadores Vagner Pereira. Já Wagner, quando questionado se continuaria na política foi claro: “Vou continuar”.
Pagamento do resgate Questionado como foi a estratégia do pagamento do resgate, Wagner confirmou que tal fato ocorreu na madrugada de sábado passado (13), às 4h30, em um latão de lixo, em Mongaguá. Ele afirmou que foi sozinho levar o dinheiro e tinha a promessa de que as filhas seriam soltas naquela manhã. Ficou desesperado ao ver passar as horas. Pegou o carro e ficou andando por vários locais, ao lado do irmão Dedé. “Foram horas angustiantes quando, finalmente no domingo, fui ao encontro delas”. Perguntado se sua família estaria com medo de morar em Cubatão, o presidente da Câmara foi enfático: “Não. Quero trabalhar pela luta contra as drogas, monitoramento já na cidade e segurança”, disse, informando que, a partir de agora, vai monitorar mais a sua família.