Segundo Climatempo, recuo do mar em praia de Caraguatatuba (SP) não está associado a tsunami

Fenômeno ocorreu no último domingo (25), na praia do Camaroeiro. Ao Climatempo, pesquisador do Serviço Geológico do Brasil explicou que se trata do efeito da maré de sizígia

Da redação
Publicado em 28/07/2021, às 11h38 - Atualizado às 12h40



Muitos moradores de Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo, ficaram assustados com o recuo do mar na praia do Camaroeiro, no domingo (25).

Com diversas fotos e vídeos, o motivo de preocupação era a faixa de areia muito maior que o normal. Havia até barcos atolados. Muitos relacionaram o fenômeno a um tsunami, mas especialistas do portal Climatempo trataram de tranquilizar a população.

Veja o vídeo publicado na página Denuncie Aqui com a maré super baixa:



https://www.facebook.com/111199933596395/posts/569951631054554/ 

De acordo com o Climatempo, de fato, uma intensa recessão do mar precede a ocorrência de um maremoto. No entanto, para tranquilidade dos moradores, a origem do recuo está ligada a um fenômeno bem menos perigoso.

Em entrevista ao Climatempo, o pesquisador em geociências do Serviço Geológico do Brasil, o oceanógrafo Vadim Harlamov, afirmou que o recuo forte do mar poderia ser prenúncio de um tsunami, mas dada a geologia do Atlântico e do nosso litoral, tsunamis são altamente improváveis no Brasil.



"Quando muito, nossos sensores percebem 'ecos' de tsunamis que aconteceram do outro lado do mundo e chegam aqui na forma de uma onda ligeiramente diferente, que não conseguiríamos distinguir das demais, muito menos perceber o recuo do mar", explicou.

De acordo com ele, as chances de tsunami no Brasil são semelhantes a ganhar sozinho na loteria.

Mas então por que isso acontece?  

A resposta simples: maré, ventos e uma praia muito plana.



Ao Climatempo, Harlamov explicou que o recuo é efeito da maré astronômica mais intensa, chamada "maré de sizígia", que ocorre duas vezes ao mês, na lua nova e cheia. Ou seja, o mar recua mais, porém sobe mais ao longo do dia, ao contrário da época de lua crescente e minguante, quando essa variação é bem menor.

"Numa praia plana, como é o caso da praia do Camaroeiro, esse efeito é muito mais perceptível. Porém, a maré de sizígia ocorre duas vezes ao mês e a declividade da praia essencialmente é a mesma, a não ser para um observador muito atento e que a tenha observado por muito tempo", comentou.

O que aconteceu de diferente agora foi a chegada de uma frente fria, com vento soprando forte de norte-nordeste.



"No mar, quando o vento sopra, a corrente que ele gera vai para o lado esquerdo no Hemisfério Sul, fenômeno conhecido como deriva de Ekman. Coincidentemente, a orientação da linha de costa do litoral de São Paulo é na direção nordeste-sudoeste. Com o vento soprando paralelo ao litoral, as correntes fluem para o oceano aberto, retirando água da costa. Em alguns lugares, a água removida pelo vento soprando ao longo da costa acaba sendo substituída por outra, que vem do fundo e é mais fria", detalha o pesquisador.

Ele lembra ainda que evento semelhante ocorre em Cabo Frio (RJ). Em agosto de 2017, com a aproximação de uma frente fria, foram relatados recuos do mar de até 50 m, desde a costa uruguaia, incluindo Montevidéu. Já os tsunamis são provocados por sismos e erupções vulcânicas e ocorrem com maior frequência no Oceano Pacífico. As ondas podem atingir uma altura de trinta metros.