De acordo com a prefeitura, há risco de desestabilização do guarda-corpo do molhe e possibilidade de queda de pedestres sobre as pedras
Redação
Publicado em 29/08/2025, às 11h30
A prefeitura de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, anunciou, na quinta-feira (28), que a Secretaria de Obras Públicas municipal interditou o acesso ao molhe na foz do rio Juqueriquerê. De acordo com a administração municipal, a decisão foi tomada após a empreiteira responsável pela urbanização do local comunicar oficialmente a existência de graves problemas estruturais na base da obra.
O enrocamento de pedras (maciço composto por blocos de rocha compactadas), que sustenta o pavimento e o guarda-corpo, apresentou movimentações e desagregações que comprometem a segurança de quem circula pelo espaço. Segundo a Secretaria de Obras Públicas, há risco concreto de desestabilização do guarda-corpo e possibilidade de queda de pedestres sobre as pedras.
O secretário de Obras Públicas de Caraguatatuba, engenheiro Gilson Mendes de Souza, disse: “Sabemos da importância do molhe como espaço de lazer e contemplação, mas nossa prioridade é preservar vidas. Diante do risco real à segurança de quem frequenta o local, a interdição é a medida mais responsável a adotar”.
A administração municipal disse que vai contratar uma auditoria independente para examinar a concepção e a execução do projeto original. O objetivo é verificar se a obra de estabilização da foz, que custou mais de R$ 60 milhões, seguiu as normas técnicas, e se os serviços pagos foram efetivamente entregues. Além da contrapartida do município, o financiamento contou com recursos do Finisa/Banco do Brasil e repasse do governo do estado.
A comunicação realizada pela empresa Era Técnica Engenharia, responsável pela obra de urbanização do local, à Secretaria de Obras de Caraguatatuba relata que o enrocamento se movimenta mesmo em condições climáticas normais, comprometendo a urbanização assentada sobre a estrutura.
Em janeiro de 2025, a Secretaria de Obras Públicas notificou a empresa responsável pela urbanização do molhe por serviços não executados e defeitos na execução de áreas já concluídas. Além disso, a pedido do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos (Dadetur), da Secretaria de Turismo do estado de São Paulo, foi retirada a placa de inauguração da obra, realizada em 2024, pelos mesmos problemas.
Ainda de acordo com a prefeitura, a interdição permanecerá até que a auditoria apresente laudo conclusivo e apontamentos sobre as medidas corretivas necessárias. “É prudente manter o acesso fechado. Nossa equipe constatou trechos com desintegração do molhe e sinais de instabilidade nas estruturas. Estamos tomando todas as medidas cabíveis para resolver o problema e devolver o espaço para uso da comunidade de forma segura o mais breve possível”, reforçou o secretário Gilson Mendes.
Molhes são obras de engenharia hidráulica construídas a partir da terra firme e que se estendem em direção ao mar. Normalmente compostos por pedra ou concreto, essas estruturas têm como finalidade principal proteger áreas costeiras e portuárias contra a erosão provocada pelas ondas e correntes marítimas.
Além disso, desempenham um papel essencial na manutenção da navegabilidade de canais e acessos aos portos, evitando o acúmulo de sedimentos que poderiam dificultar a passagem de embarcações. Também atuam como barreiras contra a força das ondas e das correntes, reduzindo o impacto sobre a costa e prevenindo a erosão das praias.
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