Pinguim é encontrado morto envolto em plástico no litoral de SP; vídeo

Fotógrafo de paisagens naturais flagrou animal sem vida, boiando próximo à praia e lamentou; especialista em vida marinha explicou possíveis causas da morte do animal e prováveis relações com degradação ambiental

Da redação
Publicado em 09/08/2021, às 13h00 - Atualizado às 14h59

Pinguim é encontrado morto no mar próximo à praia no litoral de SP - Imagem: Reprodução / Rafael Mesquita Ferreira


Um fotógrafo de paisagens naturais encontrou um pinguim morto, envolto em plástico na manhã desta segunda-feira (9), nas proximidades da praia de Guaratuba, em Bertioga (SP). “O saco plástico estava bem apertado no pescoço dele. Não sei se a causa da morte foi essa, mas, de qualquer maneira, é bem triste”,  lamentou o fotógrafo Rafael Mesquita, de 35 anos, que flagrou o animal morto por volta das 10h, e gravou um vídeo de alerta.  

Nas imagens, o pinguim boia, solitário e sem vida, nas águas azuis. O Dr. em Biologia Marinha e diretor geral do Instituto de Biologia Marinha Bióicos, Douglas Peiró, concorda com o alerta do fotógrafo. “É lamentável ver um animal tão incrível morto desta forma. Mesmo não tendo certeza da causa da morte antes de um exame de necropsia. É chocante ver a quantidade de resíduos, incluindo plásticos, sendo descartados no oceano”, alertu o especialista em vida marinha em entrevista ao Portal Costa Norte nesta segunda-feira.



Segundo Peiró, o animal é um pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) cuja espécie, anualmente, sai em gigantescas hordas das águas geladas da Patagônia e migra em busca de alimentos em águas mais quentes, chegando até o Peru, pelo oceano Pacífico, e até o Sul e Sudeste do Brasil, pelo Atlântico.

“Durante o movimento de migração da espécie ela passa pela costa brasileira, incluindo o litoral de São Paulo. Nessas migrações, os pinguins nadam em grupo e é comum que alguns membros debilitados não consigam acompanhar os outros, podendo se perder e até mesmo encalhar nas nossas praias.”

No entanto, o biólogo marinho esclarece que não é somente a seleção natural que abate os animais. “Esse é um problema que fica cada vez maior, devido à presença de lixo no mar, que acaba sendo ingerido pelos pinguins. O derramamento de petróleo, que também impacta muito esses animais e toda a vida marinha e até devido à interação com a pesca e com as redes dos pescadores, em que os pinguins acabam se enroscando”, explica.



Quando isso acontece, afirma o especialista, os pinguins vivos são encaminhados para instituições locais como aquários ou centros de reabilitação de animais marinhos, para serem tratados por profissionais especializados e, posteriormente, devolvidos ao mar.

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“Infelizmente, muitos não sobrevivem. Alguns não conseguem se recuperar totalmente ou não têm mais condições de retornar ao seu ambiente natural, sendo encaminhados para aquários e zoológicos, onde serão bem tratados e utilizados como embaixadores da educação ambiental, ajudando na conscientização das pessoas, contribuindo para a conservação de todos os outros que estão em vida livre”, conclui Peiró.