Segundo apurado pela reportagem, no lugar da antiga estrutura será construída uma “Vila do Bem”
Da redação
Publicado em 21/09/2022, às 16h56 - Atualizado às 17h40
Uma das obras mais antigas de Bertioga, no litoral de São Paulo, começou a ser demolida nesta segunda-feira (21) pela secretaria de Obras da cidade. Com recursos do Governo do Estado de São Paulo, a construção do terminal turístico começou em 1986 e foi orçada em dez milhões de cruzeiros (moeda da época).
Durante anos, a demolição da estrutura, que fica no bairro Jd Raphael, esteve no plano de governo de diversos políticos que passaram pela cidade, entretanto somente agora, em 2022, o projeto vai sair do papel.
Segundo apurado pelo Portal Costa Norte, no lugar do antigo terminal será erguida uma “Vila do Bem”, espaço inclusivo especial para atender pessoas de todas as idades e com vários serviços públicos municipais disponíveis.
Segundo conta o site História de Bertioga, o terminal rodoviário foi construído no Jardim Rafael, em frente à praia da Enseada, em um terreno de três mil metros quadrados e contava com estacionamento para 72 ônibus, sanitários, vestiários, enfermaria, posto policial, lanchonete e playground.
Foi inaugurado oficialmente em 6 janeiro de 1988 pelo governador do estado de São Paulo, Orestes Quércia, mas ficou desativado por algumas semanas porque a obra da caixa d’água estava inacabada e as instalações elétricas ainda aguardavam vistoria da concessionária de energia. Faltou seriedade ao entregar um equipamento que não estava concluído.
Depois, o governador Orestes Quércia anunciou que pavimentaria a avenida de acesso ao terminal, pois era de terra e quando chovia as condições ficavam precárias para o tráfego de ônibus. Isto nunca aconteceu.
Pela Lei Estadual nº 6.558, de 30 de novembro de 1989, foi atribuída ao equipamento a denominação de Terminal Turístico de Bertioga “Deputado Emílio Justo”.
Ainda em 1989, um ano após a sua inauguração, já se noticiava o estado de abandono do Terminal Turístico como retrato do desperdício de dinheiro público. Em 30 de abril de 1989, um domingo, o Terminal Turístico foi depredado por cerca de 500 pessoas (homens, mulheres e crianças) revoltadas com a prisão de dois “banhistas” efetuada pelos salva-vidas locais. A acusação era de tentativa de estupro de duas moças dentro d’agua.
Os vândalos não eram moradores, eram turistas, e o Jornal “A Tribuna de Santos” se referiu a eles na época como “farofeiros”, “embriagados ou dopados”. O Terminal tinha 100 vasos de flores e 90 deles foram atirados contra a parede do posto policial.
O bebedouro foi destruído, assim como o relógio e as luminárias. Eram apenas seis salva-vidas e dois policiais militares. Ao jogarem pedras e garrafas de vidro, os dois militares ficaram feridos: um no pé e outro no braço. Um dos acusados do estupro fugiu no momento que entrava na viatura, o outro foi conduzido à Delegacia de Bertioga.
O Terminal Turístico recebia ônibus acima da capacidade e muitos deles desviavam-se para outras praias e localidades de Bertioga, para não pagar a taxa de estacionamento, causando grandes transtornos nos finais de semana.
Em outubro de 1989 o 2º Grupo de Artilharia Antiaérea montou um acampamento ao lado do Terminal Turístico para o Exercício de Tiro Real, realizado na praia. Para tanto, os 370 militares presentes promoveram uma grande limpeza no Terminal Turístico e em um trecho da praia da Enseada. Esses exercícios militares eram realizados em Bertioga desde 1982.