Costa Norte
Publicado em 07/03/2016, às 07h47 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h04
*Foto: JCN
Por Antonio Pereira
As vias de maior tráfego no município têm sido alvo de reclamações por parte dos motoristas devido à quantidade de remendos e buracos. As obras de pavimentação e infraestrutura das avenidas Anchieta, 19 de Maio, Tomé de Souza e Vicente de Carvalho foram executadas há mais de quatro anos e somaram R$ 44,7 milhões.
Os problemas que motivam as queixas sobre as vias são variados. Somente na avenida Anchieta, cujo investimento foi de R$ 31,8 milhões, a reportagem encontrou 40 pontos de remendo e outros cinco buracos ainda abertos. Na 19 de Maio e na Vicente de Carvalho, as depressões tornam-se o maior problema e podem fazer o condutor perder o controle do veículo. A Tomé de Souza possui tanto depressões quanto remendos e buracos.
Na opinião do recepcionista Michel Cajueiro da Silva, a situação em que se encontram as principais vias de tráfego é um transtorno: “Se o motorista não tomar cuidado, ele perde pneu, roda, para-choque e ninguém vai ressarcir. Tem trechos aí que estão uma vergonha”.
Estas consequências são pequenas comparadas à história relatada pelo carpinteiro Pedro Viana de Santana. “Recentemente, um amigo meu morreu na Anchieta. Ele estava de moto e quando desviou de um buraco bateu de frente com um poste”.
A prefeitura atribui a principal responsabilidade pelo estado das vias à Sabesp, conforme ressaltou o secretário municipal de Obras e Habitação, Ideval Gorgônio Primo. “A Sabesp fez muitas intervenções nessas avenidas e dificilmente o asfalto mexido fica perfeito como o inicial. Nosso papel agora está em cobrá-la pelos transtornos, e existe até a possibilidade de notificar a empresa judicialmente”. Ele assegurou que as pavimentações têm garantia de cinco anos e as empresas executoras são as responsáveis pelos reparos nos trechos isolados.
Para o presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Bertioga, Paulo Velzi, grande parte dos buracos deve-se à exposição à chuva durante a implantação do pavimento asfáltico, ou ao forte calor que dilata os componentes com a via já em uso. Ele detalha: “O asfalto é um pavimento flexível, ou seja, a parte de cima realmente se movimenta e a de baixo deve ficar fixa para não gerar os buracos. Em Bertioga, dá para observar que as avenidas e as ruas recém-executadas têm isso bem feito, assim como o abaulamento (curvatura para escoar água da chuva). Um problema que pode existir é o solo arenoso dificultar essa sobreposição de camadas e os veículos pesados comprometerem o solo”.
Por meio de nota, a Sabesp informou que já realiza vistorias nos locais apontados e, caso alguma ocorrência seja de sua responsabilidade, realizará os devidos reparos.