Primeiro utilizado há três décadas, equipamento passou por mudanças em tecnologia, segurança e acessibilidade ao longo das eleições brasileiras
Rhauanny Queiroz
Publicado em 03/10/2026, às 12h02
Neste domingo (4), milhões de brasileiros vão às urnas para o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026. A votação deste ano também marca uma data histórica para o processo eleitoral do país: a urna eletrônica completa 30 anos de existência.
O equipamento foi utilizado pela primeira vez nas Eleições Municipais de 1996, iniciando uma transformação na maneira como os brasileiros votam e como os resultados são apurados. Naquele primeiro pleito, a votação eletrônica ainda alcançou apenas parte do eleitorado. A partir das eleições municipais de 2000, todos os eleitores do país passaram a votar eletronicamente.
A criação da urna eletrônica foi resultado de um processo iniciado antes de sua estreia nas eleições. Em 1986, a Justiça Eleitoral realizou um recadastramento nacional de eleitores, medida que ajudou a estruturar uma base informatizada.
Em 1995, a Lei nº 9.100 autorizou a utilização de sistemas eletrônicos de votação. A partir disso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a desenvolver o projeto que daria origem ao equipamento utilizado nas eleições seguintes.
A primeira votação com urnas eletrônicas ocorreu em 1996, nas eleições municipais. Naquele ano, aproximadamente um terço do eleitorado brasileiro teve contato com a novidade.
O objetivo era substituir gradualmente as antigas cédulas de papel e tornar mais rápida a votação e, principalmente, a apuração dos resultados.
Ao longo das três décadas, a urna eletrônica passou por diversas transformações. O equipamento utilizado atualmente é diferente dos primeiros modelos empregados nas eleições de 1996.
Entre as mudanças estão a incorporação de recursos de segurança, acessibilidade e identificação do eleitor, além de alterações no hardware e no sistema utilizado para registrar os votos.
Em 1998, por exemplo, as urnas passaram a apresentar a fotografia dos candidatos. Anos depois, a Justiça Eleitoral incorporou a biometria como uma das formas de identificação dos eleitores.
Outra mudança importante ocorreu em 2022, quando começou a ser utilizada uma nova geração de urnas com melhorias no processamento e tela sensível ao toque.
De acordo com informações divulgadas pelo TSE, os equipamentos também contam com diferentes mecanismos destinados a proteger o processo eleitoral. A arquitetura utilizada é desenvolvida e definida pela própria Justiça Eleitoral.
Uma das principais mudanças provocadas pela urna eletrônica foi a velocidade da apuração. Antes da adoção do sistema, os votos registrados em cédulas precisavam ser contados manualmente.
Com o sistema eletrônico, os votos são registrados e armazenados na própria urna. Ao final da votação, o equipamento emite o Boletim de Urna (BU), documento que registra a quantidade de votos recebidos por cada candidato naquela seção.
Os dados são então encaminhados para os sistemas da Justiça Eleitoral, responsáveis pela totalização dos resultados.
A utilização do BU também permite que os resultados registrados em cada seção sejam conferidos, já que o documento apresenta os votos contabilizados naquele local de votação.
A segurança da urna eletrônica é acompanhada por diferentes mecanismos de fiscalização e auditoria. Segundo o TSE, o sistema eleitoral passa por testes e verificações antes, durante e depois das eleições.
Entre os procedimentos estão os Testes Públicos de Segurança, nos quais especialistas podem avaliar aspectos dos sistemas utilizados pela Justiça Eleitoral.
Também existem mecanismos de verificação dos equipamentos e dos sistemas, além da possibilidade de acompanhamento por entidades fiscalizadoras habilitadas.
O TSE afirma que, desde a adoção da urna eletrônica, não houve fraude comprovada capaz de alterar o resultado de uma eleição ou quebrar o sigilo do voto.
Ao completar 30 anos, a urna eletrônica chega a uma nova etapa de sua história marcada por mudanças de hardware, software, segurança e acessibilidade.
Desde a primeira utilização, em 1996, o equipamento passou por sucessivos aprimoramentos. A Justiça Eleitoral também ampliou os mecanismos de fiscalização e auditoria do sistema, acompanhando as transformações tecnológicas ao longo das três décadas.
A história da urna eletrônica começou nas eleições municipais de 1996 e continua em 2026, três décadas depois. Nesse período, a tecnologia modificou a forma de registrar os votos, acelerou a apuração e incorporou novos recursos de segurança e acessibilidade.
*Com informações - Agência Brasil