
Na semana do índio, as terras indígenas localizadas na divisa entre os municípios de Bertioga e São Sebastião foram abertas à visitação com a Festa do Índio, realizada de 14 a 19 de abril. A mudança de local, antes realizada no centro de Bertioga, significou uma oportunidade para que os visitantes conhecessem a cultura indígena guarani na própria aldeia. Para quem perdeu a data, um novo evento realiza-se entre 21 e 23 de abril.
Na estrutura montada na aldeia, os visitantes puderam participar das danças, degustar palmito com mel, ouvir músicas da etnia, conhecer a casa de reza, ir até a cachoeira e testar a habilidade com arco e flecha, além de comprar artesanato produzido pelos índios. A realização da festa na própria aldeia foi um dos pontos altos para os participantes, devido à maior proximidade com a cultura e o modo de vida dos indígenas. A moradora da capital Adriana Abdo Isaac contou que sempre visita a aldeia, e achou importante promover este contato direto: “Aqui é o território deles, então estamos mais próximos do ambiente em que eles vivem diariamente, por isso, é importante esta participação aqui”.
Para a estudante Marcela Sponda, nas edições anteriores, realizadas no centro urbano, o maior contato ocorria com os produtos artesanais, no entanto, na aldeia, foi possível entender melhor a vida dos guaranis. Ela afirmou que será presença garantida nos próximos anos, caso as festas aconteçam novamente nas terras indígenas.
No encerramento da festa no Dia do Índio, 19 de abril, os prefeitos de São Sebastião e de Bertioga, Felipe Augusto e Caio Matheus, respectivamente, compareceram e receberam pedidos do povo guarani por melhores condições da vida no local. Entre as solicitações, o cacique Adolfo Timóteo ressaltou a necessidade de implantação do projeto da Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU), para a construção de casas nas terras indígenas. Ele explicou: “Há quinze anos, foi implantado um projeto piloto das moradias indígenas. Foi feito de madeira e também cobertura de palha para conservar a cultura indígena. Ao longo dos anos, essas casas já estão deterioradas e não atendem mais as necessidades da população. Hoje, recomendamos para o prefeito levar mensagem para o governo do estado para que se construa moradia indígena logo, que a necessidade é grande”.
O prefeito sebastianense Felipe Augusto recebeu os pedidos do cacique e ressaltou a parceria com Bertioga para atender as necessidades dos guaranis. Além disso, ele destacou ser preciso organizar o receptivo turístico do local, incentivar a cultura e o artesanato e investir em educação, saúde e moradia. O prefeito comentou: “Essa é uma ação que o prefeito Caio já iniciou, que a prefeitura de São Sebastião vem apoiando, e, para nós, é muito importante, afinal de contas, a entrada da aldeia é por São Sebastião e a estrutura, a sede da aldeia é todinha em Bertioga. Então essa parceria é só para agregar qualidade de vida e transformar em um belíssimo polo cultural e turístico”.
A possibilidade de as próximas edições ser realizadas também na aldeia não é descartada. Caio Matheus disse que o objetivo é aumentar a festividade, com o apoio do município vizinho. “Assim que fizermos o ajuste financeiro necessário para reequilibrar as contas do município, ainda mais agora, com a parceria do prefeito Felipe Augusto, de São Sebastião, a gente, dividindo esse custo, tem como fazer algo mais grandioso, à altura que a comunidade Rio-Silveiras merece”.
A aldeia continuará aberta entre os dias 21 e 23 de abril, com atividades culturais, como dança e música. Este evento, conforme informou o cacique, não contará com a estrutura montada para a festividade, mas também terá apresentações da cultura guarani, a partir das 10 horas, na casa do pajé. A entrada é um quilo de alimento não perecível.
O acesso à terra Guarani Ribeirão-Silveira é feito pela rodovia Rio-Santos, no km 189, pela alameda Mauá. As festas têm a colaboração da Sabesp, do governo estadual e do Sistema Costa Norte de Comunicação.
Mayumi Kitamura
Foto: JCN