Tucano diz querer descentralizar para levar serviços aos bairros de Bertioga


Costa Norte
Publicado em 28/07/2012, às 05h11 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h05

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Por Eliana Cirqueira

Assim como os demais, programa com candidato teve duração de 1h

O candidato a prefeito de Bertioga pelo PSDB, Caio Matheus, foi o 2º entrevistado do programa ‘Café da Manhã’, da TV Costa Norte – Canal 48 UHF, para as eleições municipais. Nesta sexta-feira (27), ele apresentou os seus principais planos de governo e apontou a descentralização da administração pública, em várias áreas, entre elas, Saúde, Educação, Esporte e Cultura, como foco de seu governo e veículo para atender melhor as comunidades dos bairros. Apresentado pelo comunicador e empresário Ribas Zaidan, o programa teve duração de 1h. Os demais prefeituráveis – Mauro Orlandini (DEM), Dr. Lairton (PR) e Kalled (PSDC) –, também devem ser entrevistados na emissora, durante as manhãs das sextas-feiras subseqüentes, ou seja, dias 03, 10 e 17 de agosto. A candidata Dra. Débora foi a 1ª a ser entrevistada. Vale lembrar que, da mesma forma que na rádio Praia FM – 106,1, todos os 05 candidatos foram informados com antecedência na TV sobre as perguntas e sobre o tempo limite para as suas respostas.

Acompanhe a entrevista:

JCN - Por que quer ser prefeito de Bertioga e por que os eleitores devem votar em você?

Caio: Tudo que eu mais amo está ligado diretamente a esta cidade e acaba dependendo do seu fortalecimento econômico, social e urbano. Minha família vive aqui e minha filha nasceu em Bertioga. Minha empresa só constrói nesta cidade. Como a maioria da população estou insatisfeito e também anseio por mudanças. Não sou de ficar de braços cruzados, esperando as coisas acontecerem, e acredito que posso contribuir e muito pelo crescimento de Bertioga, como sempre fiz na iniciativa privada, e como faço hoje, na vida pública, estando vereador. Sempre trabalho e luto por coisas que acredito, e acredito em Bertioga.

JCN - Acha que poderá ser um prefeito diferente, melhor que os anteriores? Por quê?



Caio: Eu não tenho dúvida disso. Acho que a questão não é somente ser um prefeito diferente, quero ser o melhor da história dessa cidade, fazendo a diferença. Sou a favor de uma política mais técnica. Tenho certeza de que a população quer um gerente de cidade, um administrador. Na nossa cidade sobra político bom de palanque, de dar tapinhas nas costas e pagar cerveja em bar, mas falta político bom, de atitude, político que seja técnico. Tenho certeza que a experiência que tenho acumulada ao longo da vida, na iniciativa privada, há 20 anos gerenciando grandes obras, isso contribui bastante. Percebo que também soma bastante a experiência que estou acumulando, estando vereador, já que pude me aprofundar, conhecer melhor os problemas de cada localidade e estudar soluções também.

 JCN - Sem considerar os programas federais e estaduais, qual o seu plano de governo, nas áreas de:

Saúde?



Caio: Para falar em Saúde temos que dividir esse tema em dois seguimentos: preventiva e tratamento da doença. Na prevenção, nós temos cinco UBS, incluindo o Centro de Saúde. Precisamos melhorar essas UBSs, com equipamentos, aumento do número de especialidades e da oferta de serviços públicos na área. Descentralizar, construir novas unidades nos bairros mais afastados do centro. A saúde em Bertioga está doente e o remédio é esse: descentralizar, fazer funcionar o que já temos e construir uma UPA no extremo norte da cidade, para atender Boracéia e Guaratuba.

 Educação e Cultura?

Caio: Quando se fala em educação, não é nem a questão do dinheiro que está sendo mal empregada, mas as gerações que estão sendo mal formadas e acabam entrando no mercado de trabalho despreparadas, e o tempo não volta atrás. Falemos também das creches. Hoje são mais de mil crianças fora das creches. Não foi construída uma única creche nesses últimos seis anos. Eu vou construir creches, para dar oportunidade às mães de trabalhar e ajudar no orçamento familiar. Precisa descentralizar também, levar as creches para os bairros onde não tem. Precisamos aumentar a oferta e levar mais projetos culturais aos bairros. É necessário criar oportunidades, incluir as crianças em projetos culturais.



 Esporte?

Caio: Vamos criar a Secretaria de Esporte, Juventude e Lazer. Bertioga necessita dessa Secretaria para termos uma dotação orçamentária própria para o Esporte e não depender do que sobra da Educação. O esporte é uma ferramenta importantíssima para as crianças. Aqui, também há necessidade de descentralizar. Nós temos um único Ginásio Esportivo, que foi construído há mais de 10 anos. É necessário levarmos o esporte aos bairros, construirmos academias e ginásios poliesportivos.

Habitação?



Caio: Essa é a questão fundiária da nossa cidade. Bertioga tem por volta de 50 mil habitantes e, por incrível que pareça, 27 mil pessoas moram em situação irregular. O que chama atenção é que com um problema tão grande habitacional que Bertioga possui, como é que nós ficamos três anos sem secretário de Habitação e Planejamento? Um desrespeito ao contribuinte, ao morador. No nosso governo, no dia 1º de janeiro, já vamos ter secretário e um departamento específico para promover a regularização fundiária. Vamos trabalhar com as Zeis [Zonas Especiais de Interesse Social], abairramento e atualizar o Plano Diretor da cidade.

 Transporte?

Caio: É um absurdo o tempo de espera nos pontos de ônibus. Vamos combater isso com uma fiscalização severa, rígida. Hoje, a Diretoria de Trânsito não tem efetiva e condições de fiscalizar toda a frota. Vamos colocar fiscalização eletrônica nos ônibus. Bertioga não atende todos os bairros com o transporte público. Obviamente, é necessário a prefeitura investir em pavimentação e abertura de ruas, para que os ônibus tenham condições de entrar em locais que hoje são inacessíveis.



Segurança?

Caio: Há um número pequeno de guardas municipais para 482 km de orla de praia, sendo que muitos estão em guarda patrimonial. Precisamos abrir concurso para aumentar o número de guardas municipais e equipar a nossa GCM com viaturas. E, ainda, começar, com muita responsabilidade, um convênio com a Polícia Federal para armar os guardas, com muito bom senso.

Saneamento Básico?



Caio: Neste caso, falta boa vontade, apoio e determinação [política]. Saneamento básico não é um problema só de ordem visual, por causa das valas abertas, mas de saúde pública. Bertioga é uma cidade que tem grandes problemas, com crianças com verminoses, doenças de pele. Quando chove, as valas transbordam, as ruas ficam alagadas e a população acaba tendo contato com esse material. É necessário maior envolvimento, montar projeto, colocá-lo debaixo do braço e ir atrás de emendas para participar de programas estaduais.

Turismo?

Caio: O turismo é um gigante adormecido, não temos políticas públicas voltadas para essa área. No final do ano, de 1º de janeiro até o Carnaval, o turista vem por si só. E o resto do ano? Temos que ter um calendário turístico bem trabalhado e divulgado, para que se visite Bertioga o ano inteiro. É preciso captar esses turistas que passam pela rodovia Rio-Santos e não sabem o que Bertioga oferece.



Geração de emprego e renda?

Caio: Para falar em geração de emprego e renda temos que fortalecer a nossa economia. Termos na cidade uma infraestrutura adequada para proporcionar ao comerciante, ao veranista, ao investidor uma segurança para o seu investimento. A geração de emprego na nossa cidade depende do fortalecimento da economia, do comércio e da capacitação dos nossos jovens e trabalhadores.

Comércio?



Caio: Tudo está atrelado. Comércio, turismo e geração de emprego, uma coisa puxa a outra, nosso comércio depende disso. Vamos trazer uma sede do Senai aqui para o centro. E a prefeitura tem que ser a 1ª a dar o exemplo, a acreditar no comércio local e na mão-de-obra, já que é uma das maiores geradoras de emprego na cidade.

Construção civil?

Caio: Percebo uma grande dificuldade no setor de aprovação da prefeitura com o investidor: o empresário da construção civil que gera receita para a cidade. Temos que tratar bem o investidor, porque gera emprego e receita. E isso sempre respeitando a questão do meio ambiente. Acredito que o desenvolvimento urbano e a construção civil podem e devem caminhar de mãos dadas com a preservação ambiental e não necessariamente tem que haver um conflito entre ambas.



E o Pré-sal?

Caio: Bertioga pode e será no meu governo um grande pólo educacional. Precisamos capacitar nossa mão-de-obra para que ela participe desse advento do pré-sal, desse crescimento metropolitano da região. E vamos trazer indústrias não poluentes para a cidade.

JCN - Caso eleito, quais serão as primeiras ações emergenciais tomadas e por quê?



Caio: Temos que ter muita atenção na área da Saúde, para que esse serviço público seja bem administrado e chegue da forma correta à população. Também os serviços básicos, como a coleta de lixo e limpeza urbana. E quero e vou fazer o maior projeto de urbanização da história dessa cidade porque é emergencial a população andar em ruas pavimentadas.

JCN - Como pretende distribuir o orçamento do  município, previsto em cerca de R$ 300 milhões para 2013?

Caio: O próximo prefeito não vai trabalhar a peça orçamentária de 2013, e sim a de 2014. O orçamento do próximo ano é o atual prefeito quem vai fazer, de acordo com o estilo de governo e as prioridades que ele julga necessárias. Espero que seja feita com bastante responsabilidade. Acredito que é necessário a gente trabalhar a peça orçamentária diminuindo o custeio, para que sobre dinheiro para investimentos.



JCN - Haverá a participação popular durante a sua administração? De que forma?

Caio: Começou com a elaboração do meu plano de governo e vai continuar com o orçamento participativo. A gente acredita que o melhor caminho para Bertioga seja esse: a população definir um leque prioritário. Farei um governo participativo e, para isso, tem que descentralizar, com maior participação da população. Um governo itinerante, cada semana em um bairro, para que todos tenham acesso ao prefeito.

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