Rede estadual tem 14 professores em greve


Costa Norte
Publicado em 09/05/2015, às 09h39 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h45

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E. E. Praia de Boraceia é a mais prejudicada, com 10 professores em greve desde o dia 13 de março

Por Marina Aguiar

Desde o dia 13 de março, professores da rede estadual de ensino estão em greve. Entre as exigências para voltar ao trabalho está um reajuste de 75,33%, para equiparação salarial com as demais categorias com formação de nível superior, além de melhores condições de trabalho. Em Bertioga, 14 professores aderiram à greve, dez deles da E.E. Praia de Boraceia.

A escola estadual fica na extremidade da cidade e já recebe reclamações de pais e alunos. Eucilânia Martins da Silva é mãe de uma aluna da unidade e até se acostumou com a filha chegando mais cedo em casa todos os dias. Ela disse: “Minha filha está no 6º ano e não tem incentivo para ir à escola. Ela está desmotivada, pois pega ônibus todos os dias e quando chega no colégio quase não tem aula”.

A aluna estuda no período da tarde, mas, em vez de sair às 18h20 (horário de saída), costuma sair por voltas das 15 horas. Eucilânia também informou que, dos sete professores da filha, apenas quatro seguem dando aulas. A escola possui 25 professores no total.

Luzia da Costa Mesquita também é mãe de uma menina de 11 anos da escola e reclama da falta de professores. “Nós moramos em Guaratuba, é longe para ela ir para a escola e voltar cedo. Ela está totalmente desmotivada”.

Não são apenas os pais que reclamam. Caroline Lapa do Rosário, de 12 anos, curso o 8º ano e não aguenta mais chegar na escola para ter menos de duas aulas por dia. “A gente acorda muito cedo, chega na escola e só tem uma aula. Hoje [quinta-feira, 7], por exemplo, entrei às 7 horas da manhã e saí às 7h30”, lamentou a estudante.



Os professores que aderiram à greve participam de reuniões e assembleias semanalmente, para reivindicar aumento salarial, mas, por enquanto, não obtiveram nenhuma resposta positiva. Neste mês, os professores tiveram cortes de até 50% no holerite.

Célia Amado, coordenadora da subsede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), na Baixada Santista, reconheceu que os 75,33% de reajuste estão acima das possibilidades do governo e, então sugere  que  sejam aplicados, pelo menos, 10%, índice dentro do limite da Lei  de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Uma audiência realizada na quinta-feira, 7, no Tribunal de Justiça, entre a Apeoesp e o governo do estado terminou sem acordos. A Secretaria da Educação manteve a política de reajuste salarial dos professores paulistas. De acordo com a decisão do estado, a data-base do aumento será em julho e o percentual de ampliação dos vencimentos será definido após análise do cenário econômico e da arrecadação registrada no semestre. Uma nova reunião com o sindicato da categoria está marcada para a próxima quarta-feira, dia 13. A secretaria, em nota, diz que “o governo lamenta mais uma vez a decisão da Apeoesp de manter uma greve nitidamente contaminada por interesses incompatíveis com o momento econômico atual, que conflita com a harmonia que pauta o diálogo entre secretaria e professores e visa prejudicar o cotidiano de quatro milhões de alunos e de seus pais.”



Segundo a secretaria, o índice de comparecimento foi de 95% nesta semana, o que mostra que a grande maioria dos docentes permanece comprometida, e que a atual política salarial já garantiu 45% de aumento a todos os professores do estado nos últimos quatro anos. Deste total, 21% foram de aumento real, além de ter sido feito, neste ano, “o pagamento do maior bônus por merecimento da história: R$ 1 bilhão de reais, o triplo do valor pago em 2011.”

Os professores de Bertioga uniram-se aos professores da região e participaram de uma assembleia no vão livre do Masp, em São Paulo, na sexta-feira, 8. Por enquanto, os 35% de grevistas entre os seis mil professores da Baixada Santista continuarão com a greve.

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