Perita afirma que laudo aponta corrosão em jet sky que matou Grazielly


Costa Norte
Publicado em 12/10/2012, às 04h54 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h09

FacebookTwitterWhatsApp

Costa Norte
Costa Norte


Por Maria Paula

Cezira: “O módulo não era original de fábrica, porém, era o que estava durante os fatos”

Em depoimento da perita criminal Cezira Maria Martins, do IC (Instituto de Criminalística) de Guarujá, no Fórum de Bertioga, nesta quinta-feira (10), ela confirmou existir uma forte corrosão no acelerador da moto aquática que atropelou Grazielly Almeida de Lames. A menina de três anos faleceu em fevereiro deste ano, na praia de Guaratuba, em Bertioga, onde ocorreu o acidente. O jet-ski, que pertence ao empresário José Cardoso, de Suzano, era pilotado por um menor, segundo afirmaram testemunhas, na época.

A perita assistente disse que acompanhou todos os exames assinados pelo perito responsável João Alves. “Pelo que observei na foto da borboleta, a corrosão era muito grande”, disse ela referindo-se a peça do acelerador da moto aquática. No depoimento, ela disse ainda que não era possível identificar se o equipamento recebia manutenção com freqüência e se o mesmo estava lubrificado, conforme alegou o mecânico e o dono de uma marina, em Bertioga, em depoimento anterior.

Software

O advogado de defesa do dono da marina, Armando de Matos Júnior tentou, várias vezes, desclassificar o laudo da profissional questionando a originalidade do software utilizado pelos peritos. No depoimento de Cezira, a utilização de um programa não original de software utilizado pela perícia, não altera o laudo porque os dados colhidos são os mesmos. “O módulo não era original de fábrica, porém, era o módulo que estava durante os fatos”, registrou no processo o juiz Rodrigo de Moura Jacob, da 1ª Vara do Fórum de Bertioga a fala da perita.

O advogado também questionou a perícia feita no jet sky dizendo que o equipamento deveria ter sido vistoriado por um profissional autorizado. “A perícia cercou-se de um profissional que não era mecânico e sim um auxiliar de mecânica que ninguém conhece e, de uma marina que ninguém conhece. Por que não levaram esse aparelho para um fabricante autorizado?”, questiona o advogado. Ele disse que o próximo passo agora é aguardar as cartas precatórias retornarem. Depois de abertas a defesa e a acusação serão anexadas respostas finais e aí sim, virá o julgamento do caso.



Defesa

Na opinião de José Beraldo, advogado da família de Grazielly, o depoimento da perita foi muito positivo para o processo de defesa da vítima. Segundo ele, a afirmação da especialista de que o jet sky estava em más condições de uso prova que a morte da pequena Grazielly foi provocada por vários fatores. “Permitiram um adolescente pilotar o jet sky e esse mesmo equipamento não estava devidamente pronto para ser usado”, acrescenta Beraldo.

Durante a audiência, o advogado ainda pediu ao juiz que constasse no processo o relatório da Marinha e o mesmo foi indeferido, mas ele se utilizou de outros meios. “Eu coloquei alternativamente que autorize os assistentes do Ministério Público a trazer esse documento e ele [juiz] irá analisar na fase do artigo 403 do Processo Penal, ou seja, teremos o prazo para requerer diligências”, explica Beraldo. Segundo ele, a fase agora é de espera do depoimento das cartas precatórias, que podem levar até quatro meses, conforme o juiz informou.



Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!