
Por Marina Aguiar
Dez alunas da Escola Estadual William Aureli, em Bertioga, tiveram desmaios, tremores, fortes dores de cabeça e perda de sensibilidade nas pernas após tomar a segunda dose da vacina contra o HPV. Os sintomas começaram na quarta-feira, 3, e, depois de encaminhadas ao Hospital Municipal, todas foram liberadas após medicação. Mas, duas delas retornaram no dia seguinte e, na sexta-feira, 5, continuavam internadas, ainda com os sintomas. Rosária Alves Barros, mãe de uma das meninas, está assustada com o quadro clínico da filha. “Faz três dias que trago minha filha ao hospital, ela toma soro e melhora, mas quando volta para casa os sintomas voltam. Uma enfermeira me falou que não é reação da vacina. Mas o que é então?”, indagou a diarista. Outra mãe, Fabíola Freitas de Lima, contou que a filha teve um desmaio 20 minutos após tomar a vacina e foi socorrida pela polícia militar, que fazia ronda perto da escola. “Ela saiu para ir embora e sentiu uma tontura, desmaiou logo em seguida e foi levada ao hospital. Quando cheguei ela estava tremendo e não sentia as pernas. Fiquei desesperada”, declarou. Outra garota, que tomou a vacina em uma Unidade Básica de Saúde, foi transferida ao hospital na sexta-feira com os mesmos sintomas, mas, de acordo com a chefe de seção da Vigilância Sanitária Lúcia Peres Guimarães, foi medicada e apresentou melhora rápida. De terça a quinta-feira foram aplicadas 480 vacinas no município. Desde o início da campanha, 20 mil meninas foram vacinadas em todo o estado de São Paulo e, de acordo com o médico sanitarista Aluisio Bichir, não há relatos de qualquer alteração grave. A vacina previne o câncer de colo de útero e as verrugas genitais, que são alterações causadas pelo HPV. Aluisio é também pediatra e está acompanhando os dois casos de perto. “Elas têm de fato uma perda de sensibilidade nas pernas. Nós orientamos os médicos do hospital a colherem exames básicos e o exame de líquor da espinha, para descartar qualquer doença neurológica que tenha ligação ou não com a vacina”, acrescentou o médico. Tanto Bichir quanto Lúcia consideram a hipótese de uma “resposta psicogênica em massa”, como aconteceu há poucos dias na Colômbia. Na ocasião, 200 meninas tiveram sintomas parecidos após tomar a vacina contra o HPV, como desmaios, tontura e dormência em várias partes do corpo. “Elas podem ter ficado emocionadas ou alteradas com algum informe. Pode ter sido uma histeria coletiva”, disse Bichir. O pediatra ainda fez um apelo para que a vacina não seja desconsiderada. “Se existe algo fundamental na saúde pública, são as vacinas. Nós praticamente erradicamos a paralisia infantil, o sarampo e a difteria com a vacinação no mundo”. A polícia civil de Bertioga recolheu amostras do lote k005354 da vacina para realizar investigação. A cidade recebeu dois lotes da vacina, mas está utilizando apenas um por enquanto, com validade para até novembro de 2016.