
Antonio Pereira
Moradores e turistas que frequentarem as praias de Bertioga durante o verão deverão dar maior atenção à higiene relativa a refeições feitas à beira-mar. É o que aponta o relatório de uma pesquisa realizada por alunos e técnicos das faculdades de medicina veterinária do Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e da Universidade do Grande ABC (UniABC), a convite do Círculo de Amigos do Menor Patrulheiro de Bertioga (Campb). O trabalho desenvolveu-se em meados de novembro para mapear os locais de incidência de doenças transmissíveis de animais para pessoas. Os dados foram recebidos há uma semana pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), e já são referência para a Secretaria de Saúde elaborar mecanismos de combate às endemias e campanhas de conscientização à população.
Para o coordenador do programa desenvolvido pela FMU, o médico veterinário Carlos Donini, Bertioga encontra-se em situação semelhante à de 80% dos municípios brasileiros, e não vive uma epidemia. “Os maiores problema estão ligados à drenagem urbana, mas devemos deixar claro que não existe nenhuma epidemia. O que o relatório apontou foram as causas que determinam doenças relacionadas com o ambiente”, disse o coordenador. Ao todo, 122 estabelecimentos comerciais foram visitados, a maioria deles de barracas de praia, e os proprietários receberam orientações sobre cuidados básicos no manuseio e no preparo de lanches e porções.
Para o diretor de Vigilância Epidemiológica da prefeitura, Claudinei Mora Nehme, o consumidor deve observar bem o local escolhido para as refeições, deixando a pressa de lado. “A forma como os alimentos são acondicionados, assim como os uniformes de quem os manuseiam, diz muito sobre a higiene do local, por isso, recomendamos às pessoas sempre observarem tais itens”, disse o diretor. Segundo ele, equipes da prefeitura farão visitas periódicas aos estabelecimentos durante todo o verão.
Fora os estabelecimentos comerciais, 145 residências também receberam visita dos técnicos, nas quais 70% possuem animais de estimação. Segundo o presidente do Campb José Martins Filho, responsável por trazer a ação à Bertioga, o cuidado com esses animais também deve ser grande. “Cachorros e gatos também podem ter doenças, além de soltarem pelos; o que orientamos é que as pessoas os vacinem”.
Animais nas praias
De acordo com a chefe de seção do CCZ, a médica veterinária Maria Luísa Mazzucatto, os cachorros, bem como qualquer animal doméstico, estão proibidos de transitar na faixa de areia das praias, mesmo que na coleira. O motivo é evitar que doenças como bicho geográfico sejam transmitidas aos frequentadores. No entanto, os donos poderão passear com os animais tranquilamente na orla, mantendo o animal sempre com coleira, e limpando as eventuais sujeiras.
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Controle de pombos
A chefe de seção também ressaltou o problema decorrente de alimentar pombos. “Como sabemos, em Bertioga, assim como em outras cidades praianas, a população de pombos é muito grande, e esse tipo de animal é um grande proliferador de doenças; apesar disso, não podemos combatê-los devido a uma lei ambiental. Portanto, o que pedimos é a colaboração das pessoas em não alimentá-los”, afirmou. A lei em questão é a Instrução Normativa nº 141, de 19/12/2006, do Ibama, que regulamenta o controle e o manejo ambiental da fauna sinantrópica nociva.
As pessoas que avistarem animais domésticos abandonados ou tiverem interesse em adotar cachorros ou gatos podem ligar para o CCZ no (13) 3316 4079. Já aqueles que tiverem denúncias sobre animais silvestres de pequeno ou grande porte transitando pela cidade podem informar o departamento de Operações Ambientais da prefeitura pelo telefone (13) 3317 7073.