Chapolin deve responder por crime de falso testemunho no caso Grazielly


Costa Norte
Publicado em 01/09/2012, às 05h11 - Atualizado em 23/08/2020, às 13h47

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Por Maria Paula

Caseiro esteve na audiência com o advogado do empresário José Cardoso

O caseiro Erivaldo Francisco de Moura, o Chapolin, uma das principais testemunhas no caso da menina Grazielly Almeida Lames, negou ter conduzido o jet sky até a Praia de Guaratuba, em Bertioga, no dia do acidente que matou Grazielly, de três anos. Durante o Carnaval deste ano, a menina brincava na areia da praia e acabou atingida pelo equipamento náutico. Ela não resistiu aos ferimentos. No depoimento prestado nesta quinta-feira (30), durante audiência no Fórum de Bertioga, que durou mais de 2h, ficou claro para o MP (Ministério Público) que o caseiro mentiu quando disse que não foi ele quem conduziu o jet sky, contradizendo a versão do menor que pilotava a moto náutica. Chapolin relatou que só viu a moto aquática quando a mesma já estava na água, mas que a mãe do menor não só viu o filho passando com o equipamento como nada fez para impedir. “Ele [Chapolin] foi a única pessoa que disse que não participou dessa ação, muito provavelmente instruído pela defesa técnica. A tese da defesa do [empresário, dono do imóvel onde estava hospedado o menor] José Augusto Cardoso Filho é jogar toda a responsabilidade da morte da menina Grazielly para o adolescente e sua família”, disse o promotor Roberto Marcio Ragonezi Francisco. O caseiro Erivaldo trabalha na casa do empresário José Cardoso há 5 anos e durante a audiência relatou que ganha um salário de R$ 750 por mês. Ao término de seu depoimento, Chapolin não quis dar declarações à Imprensa. Confrontos Durante a audiência, o advogado da família de Grazielly José Beraldo confrontou os depoimentos de Chapolin prestado na Delegacia de Polícia no dia 19 de fevereiro com os depoimentos realizados na audiência desta quinta-feira (30). “Em todas elas [audiências], ele mente descaradamente mesmo sendo alertado pela Vossa Excelência, e isso é falso testemunho. Ele deveria sentar no banco dos réus. Em determinado momento da audiência, o juiz se exaltou com os advogados que não conseguiam se entender.

Importante O advogado do dono da marina, Gabriel Santana também disse que o depoimento do caseiro foi extremamente importante para saber quem são os verdadeiros culpados na morte de Grazielly. “Vários fatos vão ajudar muito na defesa do Tiago [dono da marina] e do mecânico [Aílton Bispo de Oliveira] porque tinha muitas coisas escondidas. Hoje, na presença do magistrado a verdade aflorou”, disse o advogado.

Sem ciência Segundo o promotor, o MP não denunciou os pais do adolescente porque no depoimento das testemunhas, a mãe não tinha ciência de que o filho iria pilotar a moto aquática. “Não basta ser mãe para ter a responsabilidade de evitar o resultado. É necessário que essa mãe tenha a possibilidade de agir e essa possibilidade surge no momento em que ela tivesse ciência de que o filho iria pilotar o jet sky”, explicou o promotor. Quanto à fuga da mãe com o adolescente, se eximindo da responsabilidade de socorrer a menina Grazielly, o promotor disse que essa é uma conduta que o Código Penal não censura, cabendo aos pais o direito de não entregar o filho as autoridades.

Carta precatória No processo estão previstos os depoimentos de duas testemunhas do Interior, por carta precatória. Só depois desses depoimentos é que o MP deve propor ação penal de crime por falso testemunho contra o caseiro. Chapolin saiu do Fórum, acompanhado do advogado do empresário José Augusto Cardoso Filho, sabendo que pode ser julgado por falso testemunho. De acordo com o promotor, a pena para esse caso é de 01 a 03 anos de prisão. “Há um recurso do MP pleiteando que o caseiro torne a ser réu desde que ele seja mantido fora do processo. Acredito que ele deva responder sim por falso testemunho”, finalizou o promotor.



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