
19 de maio de 2011, noite de quinta-feira, lua cheia, aniversário dos 20 anos de emancipação político-administrativa de Bertioga. Data especial para o pequeno município da Baixada Santista, mas, além da comemoração festiva, algo diferente, literalmente, pairava no ar. Apesar de pleno Outono, um frio similar ao de Inverno cortava o vento dos que pelas ruas centrais da cidade trafegavam e, esses, por sinal, eram muitos. Em consequência, a típica tranquilidade já havia ido embora. A costumeira chuvinha do fim do dia também não caiu. E a noite ainda trazia aquela imensa e redonda lua a iluminar o céu e o mar, como que anunciando uma boa nova. E era... Um dos ícones da música popular brasileira atual iria se apresentar no palco montado na Praça de Eventos, bem ao lado da bela Praia da Enseada. Ninguém menos que o cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro e banda aguardavam para subir ao palco às 20 horas e, consequentemente fazer o público delirar. E foi o que se efetivou quase no horário programado. Quem conhecia vibrou; quem não, também aprovou.
Plateia embalada Patrocinado pelo Sesc-Bertioga, com apoio da prefeitura local, o show animou, encantou e envolveu a todos. Mais do que embalar a plateia com suas canções, Zeca Baleiro mostrou todo o profissionalismo musical e, ao mesmo tempo, a simplicidade pessoal, registrados nos trabalhos artísticos. A apresentação durou mais de 2 horas e, para deleite dos fãs, o astro maranhense deu a trivial canja, comum dos artistas, é claro, porém, maior, entoando cerca de mais quatro melodias. Aparentemente cansado devido a toda dedicação aplicada no show, Zeca Baleiro ainda demonstrava simpatia aos que lhe aguardavam ao término da apresentação. Atendeu carinhosamente aos fãs e, em seguida, gentilmente concedeu mais cinco minutinhos para uma breve entrevista, exclusiva ao JCN (Jornal Costa Norte). Nela, ele contou o que achou da apresentação e o que conhece no município, citando, inclusive, a degustação do tão famoso pastel de Bertioga. Também falou do que mais gosta e, em especial, dos projetos futuros, que incluem gravações de um CD infantil e outro com novas parcerias, como Lô Borges e Geraldo Azevedo. Confira:
Zeca é a primeira vez em Bertioga? O que achou da receptividade do povo da cidade? Boa. Para uma quinta-feira fria, né, eu até fiquei assim..., poxa [risos], por que não marcaram esse show na sexta ou no sábado? Certa desconfiança de que o povo não sairia de casa... Mas foi muito bacana, numeroso, caloroso, participativo. O mais importante do show é gente que vem com vontade de interagir com o artista, de dividir, foi muito gostoso. Eu já tinha vindo uma vez aqui, mas foi um show no Sesc, fechado, num congresso de professores.
Chegou a conhecer a cidade, os pontos turísticos? Já, mas não dessa vez, que vim direto para o palco.
O que já conheceu? O famoso pastel, né [risos], e as praias. Dei uma circulada pelas praias alguns anos atrás, com a família. É um lugar interessante, uma atmosfera boa, de paz, assim... gostosa.
Falando de sua carreira, o que está previsto daqui para frente? Olha, projetos há muitos, mas não sei qual abraçar nos próximos meses. Tenho projeto de um disco novo, de carreira.
Qual o estilo, o mesmo? É um disco miscelânea de ritmos. Venho preparando de cabeça já há muito tempo, mas falta realizar, efetivamente. E um projeto de um disco infantil, que há muito tempo também queria fazer, desde que meus filhos eram pequenos, agora já estão adolescentes, grandes e tal, mas é um projeto que eu quero fazer. E tem o Baile do Baleiro, que é um projeto paralelo que tenho de cover, de música brasileira, dançante, e que pretendo também seguir adiante. Não sei quando levar algum suporte dele para DVD, CD, programa de TV, sei lá o que, talvez no próximo ano.
Zeca Baleiro pessoa, gosta de praia, de esporte, de quê? Eu sou da praia, de São Luis do Maranhão. Vivi a minha infância no Interior, nasci em São Luis e vivi toda minha adolescência lá, então, gosto de praia, de futebol na praia adoro, pisar na areia... Vou sempre lá ver meus pais e levo os meus filhos para viver aquela atmosfera. Comer peixe, comer ostra, comer caranguejo, é coisa boa demais. Gosto muito dessa atmosfera de praia, dessa vibração que há, da música também que se faz perto do mar, é uma música diferente. Sinto-me muito à vontade nesses lugares.
E o que você leva de Bertioga? Hoje, especialmente, levo o carinho, o calor do público, a cumplicidade gostosa, carinhosa. Para o artista isso é o trunfo, o maior prêmio, é muito gostoso. Desejo, de fato, felicidades para Bertioga, que é jovem e, como todas as cidades hoje crescem muito e desordenadamente. É muito difícil dar um destino feliz para uma cidade, mas eu torço pra felicidade desse lugar, que se conduza da melhor forma possível. Muita cultura, educação, que são coisas essenciais.
Uma última pergunta: você falou de seu próximo trabalho. Alguma participação especial, algum amigo volta a gravar com você, tipo Lenine, Rita Ribeiro, algum? Assim de imediato não. Tem muita parceria que tenho feito com gente diversa. Com Zélia Duncan tenho feito algumas coisas, com Frejat fiz uma canção, com Hildo (Hora), que é um cara clássico do som brasileiro, com o Fagner continuo a compor. Tem uma promessa de parceria com Lô Borges, outra com Geraldo Azevedo. Quer dizer, pode até ser que se configure, lá na frente, num disco com esse repertório, com essas parcerias, mas ainda é cedo. Tenho uma agenda para cumprir até o final do ano. No meio disso, vou tentando pensar, idealizar o que pode vir a ser esse disco.
Outras atrações Além do show de Zeca Baleiro e banda, Bertioga ganhou como presente de 20 anos, o típico desfile cívico-militar e outras atrações musicais, como do grupo também de MPB 14 Bis, no dia 20 de maio, patrocinado pelo próprio município. No dia seguinte, os moradores e visitantes ainda puderam se divertir com o reggaeton do Muamba Bitt, o pagode do Sem Kaô e o funk de Os Cafajestes, entre outros. Essas atrações foram promovidas pela rádio local Praia FM – 106,1, e Sabesp, com apoio da prefeitura. No final dos festejos ficou o gostinho de quero mais. Há, no entanto, expectativa de que no próximo ano, as comemorações sejam igualmente boas e diversificadas.
BOX: Zeca Baleiro tem quase 15 anos de carreira fonográfica. Sua música deriva de variados ritmos brasileiros: samba, pagode, baião com elementos do rock, pop, música eletrônica e romântica. O cantor e compositor já teve suas canções interpretadas por Gal Costa, Simone, Elba Ramalho, Vange Milliet, Luísa Possi, Rita Ribeiro, Renato Braz, entre outros. Como parceiros em composições conta com Chico César, Fagner, Arnaldo Antunes, Lobão, Lenine, Paulinho Moska, Zeca Pagodinho e Zé Ramalho. Acumula cinco discos de ouro, três prêmios Sharp e três indicações para o Grammy Latino. Já fez mais de 850 shows que somados ultrapassam a casa de um milhão de pessoas que o assistiram e cerca de 700 mil CDs e 30 mil DVDs vendidos.