
Por Maria Paula
Para secretária estadual Linamara, Bertioga é uma cidade modelo“Nós temos um país com muitas divergências sociais e culturais, e até conceituais. Capacitar o gestor público e ao mesmo tempo capacitar às famílias para que elas sejam protagonistas da questão da inclusão não é uma tarefa que se encerra com o governo. O Estado de São Paulo é hoje um exemplo no Brasil por conta das políticas consagradas em prol da pessoa com deficiência”. A afirmativa é da secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Battistella, feita durante a 3ª Caravana da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania 2012, realizada sábado passado (15), no Sesc-Bertioga. Na ocasião, a secretária assumiu o compromisso de construir, em Bertioga, um centro de reabilitação para a pessoa com deficiência. A unidade também deverá atender implantes de próteses e órteses, independente do paciente ser deficiente ou não.
Momento especial A Caravana reuniu delegações de Santos, Mogi das Cruzes, Guarujá, entre outros municípios vizinhos, além das associações locais Apae e Nace. A moda inclusiva, criada especialmente para a pessoa com deficiência física e com representação internacional, também foi apresentada pelos alunos da Apae, no evento. Vale lembrar ainda que a Caravana chegou em momento especial, uma vez que o Brasil conquistou o 7º lugar nas Paralimpíadas de Londres.
Na Vista Linda O professor Augusto Coelho Filho, presidente do Condefi (Conselho dos Direitos da Pessoa com Deficiência) de Bertioga informou que o futuro centro de reabilitação deverá ser construído na Vista Linda. Segundo ele, o projeto ainda está em fase de execução, sem data definida para conclusão. “Tudo vai passar pelo crivo do Meio Ambiente, que vai ser o fator determinante neste processo”.
Transporte gratuito Ainda segundo o professor, Bertioga ainda sai na frente com o registro 555 carteirinhas de transporte gratuito para a pessoa com deficiência e a mesma vale para todos os municípios. A única exceção é Santos, por enquanto. Na opinião dele, os municípios precisam “falar a mesma linguagem”, caso contrário, não chegarão a um denominador comum. Outro agravante que os deficientes encontram é o acesso dentro dos aeroportos. “Aqui no Brasil, os cadeirantes precisam ser transportados no colo até o avião porque não existe acesso adequado”, lembrou Augusto.
Dificuldades A analista de gestão da Secretaria de Estado dos Transportes, Flávia Vital, que entende bem as dificuldades do deficiente em decorrência de uma paralisia infantil quando criança, disse que o Governo está em vias de resolver essas questões, inclusive, o acesso as balsas, outra grande dificuldade da pessoa com deficiência.
Cidade modelo O programa estadual ‘Praia Acessível’ com a disposição das cadeiras anfíbias – sendo 25 unidades distribuídas ao longo de toda Bertioga – também foi ressaltado pela secretária estadual. “Bertioga é uma cidade modelo em acessibilidade com a implantação das cadeiras anfíbias e nós pretendemos levar esse projeto para todo o Litoral”, disse Linamara reforçando a necessidade dos municípios reconhecerem seus deficientes e as suas necessidades.
Demandas Na 3ª Caravana, Linamara apresentou as demandas mais importantes com relação à inclusão da pessoa com deficiência. Segundo ela, a Caravana é uma prestação de contas, mas é também uma escuta diferenciada para reconhecer o que falta em cada município. A secretária citou a unidade da rede Lucy Montoro e o ambulatório que funciona dentro do AME, como exemplos de atendimento à pessoa com deficiência na Baixada Santista. “Identificar as responsabilidades de cada gestor, municipal, estadual e federal e, a partir daí alinhar as políticas é o primeiro passo”, disse. Para ela, trabalhar em parceria é a única saída para maximizar o efeito do gasto público. “É preciso gastar, mas preciso gastar com eficiência”.