
Por Marina Aguiar
Entrevista com o chefe do Executivo ocorreu na quinta-feiraPrestes a comemorar os 22 anos de emancipação político-administrativa de Bertioga, o prefeito Mauro Orlandini fala sobre os avanços e projetos para a cidade que, segundo ele, desenvolve-se a passos largos. Orlandini lembra que a criação do município ocorreu em 1991, mas apenas em 1993 houve eleição para prefeito, na qual saiu vencedor, e que, portanto, são apenas 20 anos de administração efetiva e autônoma. Acompanhe a breve entrevista:
Qual o balanço que o senhor faz desses 22 anos de emancipação? Já tínhamos certeza do potencial de Bertioga, e ele vem se mostrando real. O desenvolvimento ocorreu mais rápido do que imaginávamos. Tivemos o privilégio de poder contar com a experiência dos erros das outras cidades da região e tivemos mais facilidade em administrar. Isso fez com que Bertioga pudesse acertar mais do que errar. Atualmente, além de ser boa para viver, Bertioga é ótima para investir. A valorização dos imóveis e a vinda de pessoas de fora para cá são os sinais. A cidade é próxima de São Paulo e já pode oferecer qualidade de vida.
O relacionamento entre os poderes Executivo e Legislativo nunca esteve tão afinado. A que se deve isso? Quando a gente se candidata é para se doar e, principalmente, para zelar pelo coletivo. Não posso reclamar desta Câmara, nem das outras. Cada uma tem sua peculiaridade e, hoje, nós temos uma Casa que atua mais, os vereadores têm uma participação mais efetiva na construção dos projetos. Precisamos estar de mãos dadas para melhorar nosso município.
No ano passado, os moradores de Bertioga foram brindados com a entrega de uma nova avenida (19 de Maio) e com a reurbanização da orla da praia, logo em seguida. E este ano, qual será o presente para a cidade? Estamos com obras em andamento, mas não queremos fazer tudo correndo. Mesmo no ano passado, que era um ano eleitoral, eu não deixei em momento nenhum que as coisas se atropelassem, por causa da eleição. Até para construir uma simples casa temos dificuldade, e a prefeitura, é claro, não é diferente. O presente de Bertioga este ano é a continuidade dos trabalhos.
Também em 2012, algumas autoridades vieram a Bertioga inaugurar as obras. Nesta data, alguma autoridade estará presente? A nossa parte é convidar; ano passado, o governador Geraldo Alckmin esteve na inauguração da 19 de Maio. Este ano, havia expectativa de que o governador viesse para a inauguração da travessia da balsa. Mas não é isso que o cronograma diz e, também, não está atrasado. Tentamos fazer uma antecipação, mas como isso iria alterar a qualidade do trabalho, preferimos adiar a entrega dessa obra.
Há frustrações de sua parte acerca de obras com entregas prometidas, mas que ainda não foram terminadas? É claro! O prazer de um prefeito é que estivesse pronto. Tivemos problemas técnicos. Uma coisa é ter uma obra do município, outra coisa é ter uma obra conveniada, como o portal de entrada da cidade. Quando há uma ação com o governo do estado, existe toda uma burocracia. Mas vai sair. A obra do terminal (rodoviário) está finalizando, precisamos de apenas alguns meses. Não resolve muito estar com o terminal pronto, se as alças de acesso da rodovia Rio-Santos não estiverem concluídas. O ônibus terá dificuldade de entrar. Junto da rodoviária, está sendo feita a estação de transbordo, ali no Jardim Albatroz II. As coisas estão encaminhadas e sem pressa de data.
Na área habitacional, o que vem por aí? Quantos projetos estão aprovados pelo Minha Casa, Minha Vida, e quando sairão? Estamos com a expectativa de pouco mais de mil casas, mas é tudo tão burocrático que eu não gosto de anunciar uma coisa que já era para estar pronta. Essa relação com o governo do estado, governo federal... É muito burocrático. Isso porque temos um problema crônico; o IBGE mostra que nós temos 49 mil habitantes, menos de 50 mil, isso faz com que tenhamos dificuldades para aprovar projetos. É difícil provar que temos mais que esse número, já que muitas áreas são invadidas e os moradores não contribuem. Outro problema é a extensa área de preservação permanente, sobra pouco espaço para construção e o preço do metro quadrado aumenta.
E nos setores da saúde, da educação e do meio ambiente, há novidades? Na saúde, estamos concluindo um projeto especifico para a ampliação do hospital, que é a criação dos leitos de UTIs. Está sendo licitado o projeto do executivo, mas não há prazo para começar. A verba destinada é de R$ 5 milhões. O secretário de Planejamento e Habitação (José Marcelo Marques) está fazendo uma tratativa em relação à Câmara. Se ela (a Câmara) não estivesse ali, poderíamos transformar a rotatória inteira em um complexo da saúde.
Qual o presente que a cidade mais precisa no momento? A grande obra para Bertioga vai ser a revisão do Plano Diretor. Hoje, podemos enxergar a revisão próxima, pois já temos aprovado o gerenciamento costeiro pelo estado. Agora temos definição do que se pode ou não usar em termos de área. Bertioga tem 94% de área preservada. A galinha dos ovos de ouro de Bertioga é a questão ambiental, temos que conciliar essa preservação com algum tipo de uso. Esse casamento se chama sustentabilidade, que vai desde preservar o verde, até utilizar as construções a nosso favor. Hospitais e escolas, por exemplo, têm que existir.