
Por Ana Cláudia Gomes
Audácia e aparente planejamento. É o que resume a ação de oito bandidos que invadiram o Paço Municipal de Bertioga na madrugada de quinta-feira (15). Fortemente armados, eles chegaram de barco, pelo rio Itapanhaú, fizeram dois GCMs (guardas civis municipais) de reféns e explodiram os caixas eletrônicos da CEF (Caixa Econômica Federal). A tentativa, no entanto, conforme a polícia acabou frustrada, já que o bando nada conseguiu roubar. Os assaltantes ainda tentaram explodir os equipamentos do Santander, mas a bomba não funcionou.
O grupo fugiu de barco, levando apenas seis coletes à prova de bala. Inicialmente, a informação era de que os ladrões teriam levado o dinheiro dos caixas, fato que foi desmentido pela polícia e pelos bancos.
Imagens
O delegado-titular de Bertioga, Maurício Barbosa Júnior, informou que a polícia está com a cópia das imagens do sistema de câmera dos bancos. “Já estamos diligenciando no sentido de identificar os criminosos que estão nas imagens”, afirmou.
Ainda pela manhã, policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), da PM (Polícia Militar) foram chamados para desarmar a bomba instalada pelos assaltantes no banco Santander. O equipamento foi encaminhado à Delegacia local.
Segundo consta no B.O. (Boletim de Ocorrência) registrado, os criminosos tiveram acesso ao Paço Municipal pelo rio Itapanhaú, que fica localizado aos fundos da sede da prefeitura. Os GCMs feitos de reféns ainda contaram que os ladrões renderam dois deles, enquanto o terceiro conseguiu se esconder e chamar a polícia.
Ação rápida e violenta
De acordo com o relato dos três guardas, a ação foi rápida e violenta. Por volta das 2h, um deles trancou os portões do Paço e assumiu o posto, na área administrativa. Cerca de 1h20 depois, o GCM escutou vozes e disse ter pressentido que seria um roubo a banco. “Eu me escondi dentro do prédio e tentei entrar em contato com meus companheiros”, contou o refém, que afirmou temer pela própria vida. Por rádio, ele comunicou o fato a PM. “Um pouco depois, ouvi dois disparos de arma de fogo e em seguida, duas explosões”, detalhou. Somente após 25 minutos, o GCM teria conseguido chegar até os portões de entrada da prefeitura.
Arma na cabeça
“Vivi momentos de pânico e pedi a Deus para ficar vivo. Foi uma pressão psicológica muito grande”, contou o outro guarda que ficou refém dos bandidos. Ele afirmou que os criminosos sabiam que existiam três funcionários no local. “Quando eles [bandidos] me pegaram, junto com meu companheiro, começaram a gritar perguntando onde estava o terceiro”. Segundo a vítima, um dos criminosos o obrigou a ajoelhar e colocou a arma na sua cabeça, entretanto, não disparou.
Tiros
Nesse momento, um dos criminosos empurrou o outro GCM, que caiu no gramado. “Cai com o rosto na grama e ele [bandido] disparou duas vezes, mas não me acertou. Meu companheiro achou que ele tinha me matado”, disse.
Os dois GCMs também contaram que, a todo momento, os bandidos gritavam que iriam matá-los se não falassem onde estava o terceiro guarda. “Eles vieram aqui cientes de que eram três guardas”, confirmou um dos servidores. Os guardas acreditam que o fato de uma das explosões não ter ocorrido é o que fez com que os ladrões não os matassem.
O caso foi registrado como “roubo de patrimônio”, na Delegacia de Bertioga.