Aetub terá aumento na frota e ônibus continuarão sem ar-condicionado


Costa Norte
Publicado em 07/02/2014, às 13h46 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h27

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Por Antonio Pereira

Presidente cogitou renunciar devido a ofensas pessoais, mas continuará no cargo

A Associação dos Estudantes Técnicos e Universitários de Bertioga (Aetub) contará, em um prazo de duas semanas, com um total de 13 ônibus para os trajetos que levam os associados às instituições de ensino de Santos, Guarujá e Mogi das Cruzes. A novidade foi acordada entre representantes da entidade, vereadores e o prefeito Mauro Orlandini, na tarde de quarta-feira (5), ocasião em que a prefeitura acatou a sugestão de aumento do repasse em 20%, com a finalidade de zerar a atual lista de espera pelo transporte, com mais de cem inscritos. Apesar do aumento no repasse, os estudantes também sentirão mudanças nos próprios bolsos, uma vez que a mensalidade de rateio, atualmente pré-estipulada em R$ 104,86, passará para R$ 120,10. O novo valor será cobrado ainda em fevereiro, em boleto único com vencimento no dia 20. Segundo o presidente da Aetub Luciano Pinto dos Santos, o aumento no repasse municipal de R$ 110,8 mil para R$ 130 mil é importantíssimo, uma vez que mais estudantes terão a possibilidade de se associar e, assim, utilizar o transporte. “Na terça-feira (5), fizemos uma assembleia na qual votamos sobre o uso de ônibus com ar-condicionado, mas, devido ao acréscimo de R$ 100,00 na mensalidade, os estudantes foram contrários. Muitos deles sugeriram que aumentássemos a quantidade de ônibus, para resolvermos o problema de outros estudantes, que se encontram em lista de espera. Nós tomamos conhecimento disso, e marcamos uma reunião com o prefeito, que ouviu nossa proposta de aumento em 40%, e ele autorizou 20%”. Os novos ônibus complementarão as linhas de Santos e Mogi das Cruzes. Presente no encontro, o presidente da Câmara Municipal, vereador Luís Henrique Capellini, ressaltou a necessidade de a Aetub fazer uma série de reformulações na sua estrutura, “entre elas, organização financeira e estudo de demandas futuras porque somente o aumento do repasse não será uma solução a longo prazo”. O prazo estipulado durante o encontro (seis meses) é o tempo que o chefe do Executivo e os vereadores acreditam ser necessário para que a Aetub possa pensar e elaborar uma solução conjunta, com objetivo de equalizar as contas da entidade, de acordo com seus recursos financeiros. Caso a entidade não tome as medidas acordadas dentro do prazo estipulado, a prefeitura, os vereadores e a diretoria da Aetub voltam a se reunir para rever o acordo. Entre as providências que ficaram a cargo da entidade, estão as revisões do estatuto e da cobrança de rateio do associado. Além dos R$ 120,10 mensais como taxa de rateio, que complementam a verba mensal repassada pela prefeitura, exclusiva para o transporte, os estudantes também pagam uma semestralidade de R$ 240,00, destinada a gastos administrativos da Aetub. “Este valor, até o ano passado, era cobrado junto com o rateio dos ônibus, mas o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) ordenou que separássemos e, agora, podemos cobrá-lo em até três vezes de R$ 80,00”, disse o presidente

Diferentemente do que foi prometido pelo prefeito Mauro Orlandini, nas eleições municipais de 2008, o transporte universitário nunca chegou aos 100% de gratuidade. Em nota, a prefeitura informou que só poderá investir no ensino universitário depois de cumprir suas obrigações com o ensino fundamental e educação infantil. Além disso, também foi informado que o repasse à Aetub se dá como subvenção, um apoio para uma entidade do 3º setor que representa o universitário, a fim de contribuir com o processo de formação e qualificação dos jovens de Bertioga. Essa subvenção, segundo a nota, fica limitada à disponibilidade financeira, considerando que o município deve atender, prioritariamente, a educação infantil e o ensino fundamental, de acordo com o que dispõe a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e a Constituição Federal.

Condições dos ônibus Durante os encontros, alguns estudantes fizeram críticas à Breda (companhia responsável pelo transporte), alegando que, no ano passado, alguns ônibus apresentaram falhas mecânicas e, após as reclamações, apenas foram realocados para outras linhas. “Tinha um ônibus que fazia a linha de Mogi e que apresentou problemas nos freios; ele apenas foi transferido para fazer a linha que leva a Guarujá”, disse Thiago Alves, estudante de engenharia mecânica em Mogi das Cruzes. Depois de ouvir as reclamações, o presidente pediu que os alunos registrem, se possível com fotos, todas e quaisquer eventualidades que ocorram durante os percursos, para que a associação tome as medidas cabíveis dentro do contrato de prestação de serviços. “Nós somos clientes da Breda e, caso seja constatada alguma irregularidade, podemos multá-la”.

Sem renúncia Apesar de entrar na pauta de discussão, a renúncia da atual diretoria não aconteceu, e o presidente convidou os associados a participarem mais do dia a dia da associação. “Se quisermos mudar a cidade, ou a associação, temos que ter representatividade nos conselhos municipais, e não com ofensas no Facebook”, reforçou. Apesar de não ter disputado a última eleição da Aetub, realizada em 2013, a atual diretoria está em exercício devido a uma ordem judicial, uma vez que as chapas que disputaram o pleito estavam inadimplentes e, por isso, não poderiam assumir a gestão. Caso a renúncia seja efetivada nos próximos meses, conforme cogitou o presidente, o poder judiciário terá de definir uma forma de eleger um representante para que a entidade não seja desfeita. No próximo sábado (15), os estudantes terão uma nova reunião com local ainda a ser definido, para mais esclarecimentos sobre o aumento da frota e da mensalidade. Atualmente, a Aetub conta com 445 associados, que se utilizam de 10 ônibus para se dirigirem a instituições de ensino nas cidades vizinhas de Guarujá, Santos e Mogi das Cruzes.

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