
Por Mayumi Kitamura
Um dos casos de maior comoção social nos últimos meses em Bertioga, de roubo e estupro ocorridos em um consultório dentário localizado no centro da cidade, gerou ainda mais revolta após a informação da soltura do acusado para atender à lei eleitoral (4.737/65). Por ser eleitor ativo, José Hallamo Anderson da Silva, de 22 anos, foi liberado ainda na sexta-feira, 24, para comparecer às urnas no segundo turno. Ele havia se comprometido a retornar à delegacia para o cumprimento de sua prisão temporária, de 30 dias. Obedecido o período da lei eleitoral, às 10 horas de quarta-feira, 29, o acusado apresentou-se à polícia. Vestido com uma blusa branca com capuz, o acusado segurava um pequeno livro, já sem capa, do Novo Testamento em suas mãos. Orientado por um advogado, José Hallamo falou o mínimo possível sobre as acusações, contudo, confessou o roubo à clínica. “Eu estou assumindo o roubo. O abuso sexual não ocorreu, não de minha parte. Se tiver exame, eu estou disposto, como eu falei da primeira vez, a fazer e, como prometi, eu estou aqui para assumir o meu erro. Estou aqui para pagar, assim como eu falei para o delegado na minha liberação que eu estaria aqui”. Quando indagado sobre o motivo de ter ido até a clínica no dia 15, ocasião em que ocorreram as acusações apresentadas, ele foi taxativo em sua resposta: “Eu fui lá para fazer um assalto e ponto”. Na primeira vez em que foi detido, José Hallamo negou todas as acusações e disse que estava em sua casa cuidando do filho de um ano e sete meses. Questionado sobre o celular roubado, ele afirmou ter adquirido informalmente no bairro onde reside, no Jardim Vicente de Carvalho. Contudo, as contradições começaram com as datas de compra do aparelho, diferentes em cada questionamento da polícia. O acusado, natural do Ceará, não possui antecedentes criminais, conforme revelou o delegado Marcello Marinho Costa de Oliveira. O reconhecimento, feito após a divulgação das imagens da primeira detenção, deu origem a uma nova denúncia: um roubo cometido próximo à agência da Caixa Econômica Federal, bairro do Maitinga. “Uma testemunha esteve aqui ontem (dia 28), dizendo que, cinco dias após o estupro, ela foi abordada na rua e roubada do mesmo modus operandi, ou seja, de bicicleta e com uma faca de cozinha”, contou o delegado responsável pelos casos. Os dois inquéritos aguardam a apresentação das vítimas: a paciente que esteve no consultório dentário, e a mulher roubada no Maitinga. Questionado sobre a segunda acusação, José Hallamo deu uma resposta fria: “Vamos esperar provar. Por enquanto, boca todo mundo fala o que quer”. Ao final de todas as formalidades do inquérito policial que está em andamento, o acusado pode ser julgado e cumprir pena de, no mínimo, cinco anos pelos crimes cometidos. Roubo e estupro O caso tornou-se de conhecimento público após o roubo e o estupro, ocorridos no dia 15, devido às câmeras de monitoramento instaladas próximas ao consultório dentário. As imagens de sua chegada e saída foram amplamente divulgadas nas redes sociais e deixou a população em alerta pela possibilidade de a cidade abrigar um estuprador. Desde a apresentação da denúncia por parte das vítimas, a polícia começou a trabalhar no retrato falado do suspeito. A acusação de estupro não foi confirmada oficialmente no início das investigações. No prosseguimento das investigações, e após duas das três vítimas serem ouvidas, todos os procedimentos possíveis foram tomados. A delegacia recebeu, então, uma denúncia anônima sobre o paradeiro do acusado e aproximou os investigadores da localização de José Hallamo, que residia no mesmo bairro da vítima de estupro, o Jardim Vicente de Carvalho. Em sua casa, os investigadores encontraram todos os objetos roubados na ocasião e, a identificação de uma tatuagem descrita pelas vítimas facilitou o reconhecimento do suspeito. A vítima de estupro, que reconheceu o acusado na delegacia, afirmou nunca tê-lo visto anteriormente aos crimes. Quando sua imagem foi divulgada pela imprensa, o acusado, amasiado e pai de um bebê, temeu pela sua imagem e integridade física após as acusações. Na ocasião da sua primeira prisão, ele disse poder provar, pelas horas constantes nas imagens das câmeras de segurança, que estava cuidando de seu filho. A prisão temporária do acusado só deverá ser revertida para preventiva após a finalização do inquérito policial. Enquanto isso, ele foi encaminhado para o 1º DP de Guarujá, de onde deve ser transferido para o Centro de Detenção Provisória de Praia Grande.