41 linhas de pipa com cerol são apreendidas em janeiro


Costa Norte
Publicado em 07/02/2014, às 17h37 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h27

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Por Marina Aguiar

DOA apreendeu 41 linhas só este mês; ano passado inteiro foram 61

A arte de empinar pipa é uma brincadeira antiga. Dizem que a primeira pipa do mundo surgiu na China, duzentos anos antes de Cristo. E deu certo; até hoje a brincadeira conquista crianças e adultos de todos os níveis sociais. Em Bertioga não é diferente, a prática cresceu e muito. Uma das causas para o aumento de pipas nas ruas é, principalmente, a ausência de chuva na região. De acordo com a Defesa Civil, não chove na cidade desde o dia 16 de janeiro, ou seja, são mais de 20 dias de muito calor e sol para a criançada. As praias continuam sendo o principal alvo desse público, mas a brincadeira não é mais a mesma. A prática de cortar a linha das pipas alheias cresce a cada dia, já que, quem cortar a linha, ganha, além do jogo, a pipa. Para isso, o cerol é cada vez mais procurado por crianças e adolescentes. O uso do cerol é perigoso, e pode matar. Só em janeiro, duas vítimas foram atingidas na Baixada Santista, uma delas de forma fatal. Bertioga não registrou, ainda, nenhuma ocorrência de vítima do cerol. A coordenadora do Samu de Bertioga Ana Paula Martins explica que, dependendo da velocidade da bicicleta ou moto, o cerol pode causar um degolamento na vítima. Ela alerta às eventuais vítimas que façam compressão no local de corte, se não for profundo. Já se o caso for grave, deve-se acionar o Samu imediatamente pelo telefone 192. Em Bertioga, 41 linhas com cerol foram apreendidas pela Diretoria de Operações Ambientais em todo o mês de janeiro. De acordo com o diretor da pasta, Bolívar Barbanti Junior, as apreensões fazem parte de uma operação rotineira nas praias do município. “Comparado ao ano passado, o uso cresceu muito. Em 2013, apreendemos 61 linhas; mas foi durante todo o ano”, afirmou. Além das linhas, as pipas também são recolhidas para que o usuário não refaça a linha na pipa. “É uma maneira de dificultar, já que nossa operação fica apenas na praia, e não se estende aos bairros”, comentou Bolívar. Além da evolução nos números, o cerol também ganhou técnicas de fabricação. A maneira mais tradicional é moer vidros domésticos, como lâmpadas, e misturar com cola. Essa técnica deixa a linha cortante, mas não é o suficiente. Segundo Bolívar, os jovens estão optando por comprar linhas importadas do Chile ou da China, que já vêm com o cerol. Elas são muito mais resistentes e cortantes; chegam a parecer com arames.

Lei A venda de qualquer tipo de cerol é proibida em Bertioga pela Lei nº 270/98, que pune com multa o comércio que vender o cerol. Em sessão ordinária, na última terça-feira (4), o vereador Pacífico Júnior apresentou projeto para alterar a lei, de forma a que também o comércio ambulante seja passível de multa de R$ 777,63, caso venda o cerol. Outra medida apresentada pelo vereador, é a implementação de campanhas nas escolas, alertando as crianças sobre os perigos do cerol.

A prefeitura estuda, por sua vez, uma forma de apreender o material comercializado.

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