Um jovem motoboy de São Paulo se desesperou após ter sua motocicleta furtada nas proximidades da estação de metrô Paraíso, região central da Capital, na manhã desta segunda-feira (7). Ao ter o veículo subtraído, o jovem recorreu às redes sociais e divulgou, aos prantos, um vídeo pedindo ajuda.

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“Roubaram minha moto aqui, gente”, diz o jovem Kaique Oliveira, de 26 anos, quase sem conseguir articular as palavras. “Minha moto novinha. Compartilha, por favor”, apela o rapaz. O vídeo do jovem em desespero se espalhou rapidamente pelas redes sociais, com quase 200 mil interações (assista abaixo).

O Furto

Às 9h00 da manhã desta segunda-feira, Kaíque foi fazer um exame médico na rua Alpeninos, região central da Capital. “Eu trabalhava numa empresa de motoboy registrado e fui desligado por causa da crise. Fui fazer o exame, estacionei a moto. Travei ela. Na hora que saí do exame, 11h, a moto não estava mais lá”, afirma o jovem, aos prantos. O local fica próximo a um dos principais cartões postais da capital, a Avenida Paulista.

O jovem explica o motivo de ter chorado pela moto. “É a segunda moto minha que fizeram isso do mesmo jeito. A primeira moto tava no meu nome, levaram a moto, sujei meu nome. Aí, meu pai conseguiu tirar essa moto no nome dele pra eu pagar. Nem terminei de pagar ainda. Aí aconteceu isso aí de novo.”, lamenta Kaique, chorando novamente, e completa.

“Eu não sei o que falar. É uma tristeza tão grande que me dá no coração. Tenho até o segundo colegial, comecei a trabalhar cedo, não tenho vergonha de falar que sou motoboy. É um trabalho digno. A moto é minha ferramenta de trabalho”, afirma enfaticamente, enquanto o choro dele se combina com o choro de um bebê ao fundo, seu filho, de oito meses.

Kaique terminaria de pagar a moto em 2022. O veículo, do modelo Honda CG Cargo, 160 cilindradas, é um dos mais usados por motoboys, pela economia e resistência. A moto é avaliada em aproximadamente R$ 14.000, com os juros das prestações, Kaique pagou quase o dobro.

E agora, Kaique?

Sem emprego e sem a ferramenta de trabalho, Kaique vai amargar, pela segunda vez, pagar as parcelas de um veículo que já não tem mais. “Não tinha como ter seguro, ou pagava o seguro ou a prestação da moto”, lamenta o jovem, que é casado e mora no Jardim Ipava, bairro carente no extremo Sul da capital paulista.

Logo após o furto, Kaique abriu um boletim de ocorrência no 5º DP da Aclimação. Lá ele foi informado que sua moto recebeu uma multa por excesso de velocidade a caminho de Mauá, por volta das 10h de ontem, enquanto ele fazia o exame médico.

O jovem trabalhador também tem recebido trotes exigindo o resgate do veículo, razão pela qual preferiu não divulgar seu telefone. Ele afirma que não tem esperanças de encontrar o veículo inteiro. “Tô procurando. Mas, infelizmente, a essas horas, acho que a moto já está desmontada”, lamenta ele.

Demitido, sem sua ferramenta de trabalho, sem renda, com prestações para pagar e filho pequeno para criar, Kaique não vê outra saída. “Vou pegar papelão, melhor do que pegar as coisas dos outros. Vou colocar comida na mesa, juntar dinheiro, comprar outra moto e recomeçar”, afirma o jovem, num misto de desânimo e esperança.   

 

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