Um aposentado de 80 anos, morador de Guarujá, foi alvo de um golpe em que os estelionatários visam usuários de cartão de crédito, e se passam por funcionários da central de segurança da operadora e da agência bancária. Para isso, eles entram em contato com a vítima, dizendo que seu cartão foi clonado e pedem que digite a senha e, posteriormente, seu cartão, cortado - mas com o chip intacto, é recolhido em casa. 

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Conforme o idoso relatou à polícia, uma ligação foi feita ao seu telefone no dia 4 de novembro, originada de um número desconhecido. Nela, o estelionatário informou ser da central de segurança da Mastercard e detectou uma tentativa de compra com o cartão, sendo desconhecida pelo aposentado. Durante a conversa, o criminoso orientou que o cliente ligasse para o telefone impresso no verso de seu cartão para relatar o problema.

Em contato com o número oficial, ele foi atendido por uma outra suposta funcionária e, ao explicar o que ocorreu, foi orientado a informar a numeração do cartão de crédito e, posteriormente, digitar sua senha no telefone, para que fosse realizada a suposta consulta. Nisso, a estelionatária confirmou a suposta clonagem do cartão e, temeroso, o aposentado revelou possuir outros dois cartões, e passou as informações relacionadas a eles. 

A criminosa solicitou que a vítima cortasse todos os cartões, mas preservasse o chip, e escrevesse uma carta a próprio punho, com um texto ditado por ela. Ela orientou que o idoso levasse o envelope com o material em um endereço em São Vicente, onde supostamente seria o setor de segurança de seu banco. O homem se negou a ir, e informou que ligaria para o seu gerente do banco para verificar a situação.

Quando ligou e procurou pelo seu gerente, foi informado que ele não estava no local, sendo atendido por outro suposto gerente, que também seria da quadrilha. O aposentado esclareceu todo o caso e foi orientado a entregar o envelope a um motoboy, enviado a sua casa no mesmo dia. 

Após entregar o material, o idoso ligou para um amigo e relatou tudo o que aconteceu com ele. Nisso, o amigo alarmou o aposentado de que se tratava de um golpe e avisou que ele ligasse imediatamente para seu banco com outro aparelho telefônico para bloquear os cartões. 

Ao fazer o orientado pelo amigo, a vítima descobriu o golpe e que não havia nenhum gerente em sua agência com o nome informado na ligação anterior. Em um dos cartões foi constatada uma compra de R$ 3.190, feita em três parcelas, naquela mesma tarde. Ele contestou a compra, que está em análise pelo sistema. O caso é investigado pela delegacia sede de Guarujá.

Golpe antigo

Em maio de 2017, oito pessoas foram presas em Porto Alegre e São Paulo por praticar o mesmo golpe, seguindo exatamente o mesmo padrão de contato e orientações às vítimas. Conforme esclarecido pela polícia, os estelionatários sempre ligam para telefones fixos porque, ao pedir para a vítima ligar para a operadora do cartão de crédito, no número oficial, eles mantém a linha presa. 

Quando a vítima acredita encerrar a ligação, o estelionatário coloca uma gravação que dá o sinal de linha, por isso, ao terminar de discar, o criminoso coloca outra gravação padrão, para que a pessoa não suspeite do golpe. 

Na época, a Mastercard informou em nota à imprensa que "não telefona ou envia e-mail aos portadores de cartão para falar a respeito de transações. O contato com o consumidor a respeito de possíveis fraudes poderá ser feito pela instituição financeira que emite o cartão, não pela bandeira. Portanto, qualquer ligação com esse propósito que utilize o nome da Mastercard deve ser desconsiderada".