Crueldade

Advogado que ateou fogo em cachorro diz que não se arrepende e que “faria tudo de novo”

O animal foi sedado e queimado porque estaria com um câncer na pata

Reginaldo Pupo
Publicado em 12/11/2018, às 09h15 - Atualizado em 23/08/2020, às 17h51

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Maus-tratos ocorreu em Caraguatatuba - reprodução/internet
Maus-tratos ocorreu em Caraguatatuba - reprodução/internet

O advogado Leo Wilson Zaiden, que foi multado pela Polícia Ambiental por ter ateado fogo em seu cachorro em um terreno baldio em Caraguatatuba, na sexta-feira, 9, afirmou nesta segunda-feira, 12, por meio de seu perfil no Facebook, que não se arrependeu de ter cometido o crime e que “faria tudo de novo”. Ele disse ainda que foi “mal compreendido” pela população. Logo abaixo de sua publicação, dezenas de pessoas o hostilizaram por causa do crime.

Segundo o advogado, que se identifica em seu currículo como perito ambiental e que seria ex-professor universitário de Direito Ambiental, seu cachorro “Bonifácio”, um Dobermann/Rottweiler, estaria há 10 anos com ele, quando ainda era filhote e estava pesando 60 quilos e que teria contraído o câncer nesse mês, na pata esquerda. “Não houve outra solução possível se não sacrificá-lo”.

“Nessa semana passada o câncer progrediu, a dor aumentou e ele chorava copiosamente, foi quando eu resolvi, sedá-lo e incinerá-lo, e foi o que fiz, aliás não me arrependo nem um pouco e faria tudo de novo para livrar meu amigo do sofrimento pelo qual passava”, escreveu ele em sua conta.

Ele diz acreditar que juridicamente não cometeu crime. “Minha conduta não é tipificada como crime, moralmente e socialmente, respeito a opinião de todos, aliás, defenderei sempre a liberdade de expressão, um direito inabalável constitucionalmente garantido, dessa forma, estou pronto a responder pelo meu ato perante aos órgãos competentes, porém, aqueles que estão me ameaçando fisicamente, não se atrevam por que minha reação será proporcionalmente violenta com consequências irreparáveis”, ameaçou.

O advogado disse acreditar que sua carreira e a confiança de seus clientes não serão abalados por conta de sua conduta. “Peço desculpas se meu ato extrapolou o entendimento dos senhores que reprovaram minha conduta, mas fiz o que tinha que ser feito”.

Vídeo que flagrou crime revolta moradores

A Polícia Ambiental de Caraguatatuba chegou até Zaiden após assistir a um vídeo no qual ele foi flagrado contendo o crime, que viralizou nas redes sociais, causando revolta dos moradores. Após diversas denúncias de testemunhas e de entidades protetoras dos animais, o advogado foi localizado pelos polícias após terem acesso ao seu perfil no Facebook.

Ao receber os policias em sua casa, ele afirmou aos policiais que já os esperava, afirmando que tinha conhecimento sobre a legislação ambiental e que já tinha sua defesa pronta. Ele alegou que antes de atear fogo ao animal, aplicou um sedativo.

Os policiais ambientais entram em contato com a veterinária responsável pelo tratamento do animal, que confirmou que o advogado era cliente de sua clínica e que já vinha cuidado do cão.

“O animal foi atendido no dia 4 com claudicação, estava se alimentando bem, fezes e urina normais, exame físico normal. Aumento de volume em membro torácico. Foi passado um anti-inflamatório (Rimadyl) e marcado para fazer a radiográfica. No retorno, radiografamos e vimos que se tratava de um osteossarcoma, tumor maligno, por conta do peso dele”, disse a veterinária aos policiais, que não teve o nome divulgado pela corporação.

Tratamento paliativo

Ainda segundo ela contou à Polícia Ambiental, um tratamento paliativo foi indicado para tratar os sinais clínicos, não a causa da doença, para aliviar a dor, pois o animal estava bem. Ainda de acordo com a veterinária, o advogado foi avisado que o tratamento se estenderia até o animal perder a qualidade de vida, pois era um paciente terminal e que não havia muito a ser feito. “Havia a possibilidade de aplicarmos a eutanásia quando estivesse muito debilitado, o que ainda não era o caso”.

O advogado foi enquadrado na Lei Ambiental e multado em R$ 3 mil por maus tratos. Mas como os maus tratos resultaram em morte, a multa foi dobrada para R$ 6 mil.  Os restos mortais do cão foram levados para o Centro de Zoonoses e incinerados corretamente.

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