Leão-marinho Abaré-Inti morreu devido a uma torção na região intestinal | Sistema Costa Norte de Comunicação
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Leão-marinho Abaré-Inti morreu devido a uma torção na região intestinal
Foto: Raimundo Rosa

Leão-marinho Abaré-Inti morreu devido a uma torção na região intestinal

Mascote do Aquário de Santos sentiu dores intensas e sofreu esquemia no órgão, o que o levou à morte, na noite de domingo, 18

19 de agosto de 2019 Última atualização: 16:29
Por Da Redação

Exames apontaram que o mascote do Aquário de Santos, o leão marinho Abaré-Inti, morreu, na noite de domingo, 18, em decorrência de uma torção severa em uma alça intestinal,  o que causou dor intensa e isquemia no órgão.


De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Marcos Libório, Abaré-Inti alimentou-se normalmente até as 14h de domingo, 18, quando começou a apresentar um quadro agudo de cólica abdominal. ''Tudo que se podia, foi feito para salvar a vida do Abaré-Inti. A equipe, o Aquário, a Secretaria de Meio Ambiente, estão todos consternados. Ele era uma referência para a cidade, cercado de cuidados e carinho'', disse o secretário.


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Biólogo marinho e coordenador do parque, Alex Ribeiro explicou que a necropsia foi acompanhada pelo chefe da Divisão de Veterinária do Zoológico de São Paulo, Fabrício Rassi, e pelo professor de Patologia do Centro Universitário São Judas – Campus Unimonte, Guilherme Godoy.


''Foi um quadro hiperagudo. O animal sofreu uma torção na região intestinal, o que causou uma isquemia naquele órgão. Isso mata e não há como prever ou prevenir''. Ainda segundo Ribeiro, no Zoo de São Paulo, o pai do leão-marinho apresentou quadro semelhante de problemas abdominais, mas não é correto pensar que há algum componente genético. ‘’Isso está descartado, é algo puramente anatômico’’.

 

Rotina

Uma equipe de 10 a 12 pessoas lidava diariamente com Abaré-Inti. Dois veterinários, três tratadores, biólogos, três estagiários e equipes de limpeza interagiam com ele todos os dias.


''Ele era um animal feliz. Quando chegou aqui, estava mais agressivo, até mesmo com os pais dele, e tinha problemas de pele. Aqui, encontrou o ambiente adequado, tomava banhos de sol, foi ficando cada vez mais dócil e o problema de pele desapareceu. Eu o via diariamente, acompanhava toda a sua rotina. É comovente. Agora, fica o vazio'', completa o biólogo.

 

Cuidados especiais

Nascido no Zoológico de São Paulo, no dia 2 de fevereiro de 2005, o leão-marinho estava em Santos desde 9 de dezembro de 2011. Abaré-Inti vivia em um tanque de 80 m², especialmente adaptado para ele, com 450 mil litros de água do mar. Para garantir o bem-estar do animal, em 2013, o Aquário criou protocolos de comportamento específicos com atividades para desenvolver habilidades e entreter o leão-marinho, tornando o tempo dentro do cativeiro mais produtivo e interessante. 


Os exames médicos, por exemplo, eram realizados de forma que o animal pensasse que estava brincando. E, nos verões, ele ganhava 'picolés' com peixes para que tivesse o trabalho de quebrar os cubos de gelo e chegar ao alimento.


Considerado um jovem adulto, Abaré-Inti era o preferido da maioria dos visitantes do parque. Seu nome foi escolhido por meio de concurso envolvendo a população. Abaré significa 'amigo do homem' e Inti representa 'Deus do sol', pela mitologia inca.


Por ter nascido em cativeiro, Abaré não poderia ser solto no mar, porque não saberia buscar o próprio alimento. O recinto onde vivia reproduzia seu habitat natural. Em uma arquibancada, o público passava boa parte do tempo admirando o animal. Agora, de acordo com o secretário Marcos Libório, a Semam pensará sobre uma nova proposta de uso do espaço.


Abaré-Inti era o maior animal do Aquário e mais pesado até mesmo do que os tubarões que vivem no parque: dois metros de comprimento e cerca de 300kg. E era justamente o peso do leão-marinho um dos fatores que faziam com que ele fosse educado para obedecer aos comandos, principalmente durante exames médicos.


A espécie de Abaré-Inti, Otaria flavescens, é semiaquática, vive em áreas de baixas temperaturas, de preferência em pedras. Os animais são encontrados em colônias no Rio Grande do Sul e também na costa da Argentina. No inverno, alguns podem ser vistos na praia do Sul. O tempo de vida da espécie pode chegar a 30 anos.

 

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