TERROR DOS MARES

Peixe-leão faz 1ª vítima em mar aberto e especialistas alertam sobre espécie

Vítima foi picada em praia do litoral nordestino e teve febre, convulsão e duas paradas cardíacas; peixe exótico pode afetar o ecossistema brasileiro e biólogos esclarecem as probabilidades do aparecimento do animal no litoral de São Paulo

12/05/2022 às 16:43.
Atualizado em 14/05/2022 às 12:59
Peixe-leão faz 1ª vítima em mar aberto e especialistas alertam sobre espécie (Angel Valentin / NYTNS)

Peixe-leão faz 1ª vítima em mar aberto e especialistas alertam sobre espécie (Angel Valentin / NYTNS)

Uma espécie dos mares conhecido por peixe-leão (Pterois volitans), que não pertence a biodiversidade brasileira, tem deixado biólogos marinhos e demais especialistas intrigados com a possibilidade do animal se espalhar pela costa brasileira, o que pode afetar a biodiversidade da vida marinha. O peixe é uma espécie peçonhenta, predatória e agressiva a outros peixes e invertebrados marinhos.

Assim como o Portal Costa Norte já havia alertado há um ano, o animal é uma espécie invasora no Brasil e tem aparecido no arquipélago de Fernando de Noronha, em águas rasas do litoral piauiense, cearense e já estavam sendo monitorados em aquários das cidades nordestinas.

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Porém, após a espécie fazer a primeira vítima em mar aberto especialistas acenderam o alerta quanto à multiplicação desenfreada do peixe-leão na costa brasileira.

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Segundo especialistas, o peixe-leão pode afetar a biodiversidade local, a pesca artesanal, o turismo, e também ser um problema de saúde pública. Ele se reproduz com muita facilidade: uma fêmea é capaz de colocar 2 milhões de ovos na vida. Além disso, a falta de predador nativo faz com que o animal tenha chances maiores de se multiplicar.

Primeira vítima do peixe-leão

Francisco Mauro da Costa Albuquerque, um pescador de 24 anos, foi a primeira vítima do peixe-leão, no início do mês. Segundo Ana Vitória Alves Laurindo, mulher dele, afirmou ao Fantástico da TV Globo, após o incidente, o jovem sofreu dores na região onde foi furado e teve convulsões e duas paradas cardíacas. O pescador ficou internado durante seis dias.

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Francisco estava na Praia de Bitupitá, em Barroquinha, no interior do Ceará, quando pisou no animal. A espécie é altamente venenosa e já foi encontrada em diversos locais do litoral cearense, inclusive em pontos turísticos famosos, como Jericoacoara.

Peixe-leão no litoral de São Paulo

O Portal Costa Norte entrou e contato com instituto Biopesca, que integra o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). O Biólogo Marcio Hidekazu Ohkawara, do Instituto, afirmou que o peixe-leão pode causar um desequilíbrio ecológico porque não encontra predadores locais e se alimenta de outros peixes.

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“Há a chance de virem para o litoral paulista porque a corrente do Brasil passa pelo Nordeste e desce para Sul, até a altura da costa do sudeste. Por outro lado, também é necessário avaliar quais limites de temperatura a espécie suporta", disse o biólogo.

A reportagem também conversou com o biólogo marinho Luís Felipe Natálio, mestre em Ciências Biológicas (Zoologia) pela Unesp Botucatu e doutorando em Ecologia na USP Capital.

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O especialista em vida marinha afirma que os banhistas podem ficar tranquilos. Os casos de acidentes são mais raros, pois o animal tende a habitar áreas rochosas e recifais não tão rasas, ou seja, locais onde os banhistas não costumam frequentar.

Entretanto, Luís ressalta que é importante evitar o toque e pisar em ambientes rochosos submersos bem como não manusear o peixe-leão caso ele seja encontrado, pois ele é venenoso.

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Pescadores, diz, devem ficar atentos caso encontrem um peixe que não conhecem e que se pareça com o peixe-leão, também pelo risco de manuseio. Pescadores de áreas onde a bioinvasão de peixe-leão ocorre se preocupam pelo fato de ele ser um predador voraz de outros peixes, podendo impactar na pesca na região.

Questionado quanto aos principais problemas dessa espécie em nossa costa, o Luís foi enfático em dizer que o maior problema são os impactos no ecossistema marinho.

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“Uma espécie invasora, como o peixe-leão e o coral-sol, pode alterar o ambiente negativamente de diversas formas, principalmente por competir por recursos com organismos locais, como por espaço e alimento. Por não terem predadores, a população dos invasores pode aumentar muito e, com isso, aumentar os impactos gerados", avaliou Luiz, que acrescentou.

"Isso pode fazer com que paisagens marinhas e sua biodiversidade sejam prejudicadas, com efeitos se estendendo aos seres humanos, pois o peixe-leão é um predador e sua ação sobre outras espécies de peixes pode diminuir a disponibilidade dos estoques de peixes para a pesca de uma região”.

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Como o peixe-leão chegou ao Brasil?

Animal é um predador vigoroso que se multiplica rapidamente (Imagem: Reprodução / Revista Piauí / Herton Escobar)

“A presença desse peixe exótico pode estar relacionada a uma nova soltura de criador de peixes de aquários ornamentais (aquariofilia), o que, inclusive, vem sendo investigado. A outra possibilidade é que alguma larva desse animal tenha atravessando a pluma do Amazonas que é um filtro para algumas espécies”, disse um especialista ao Fantástico.

Soltar uma espécie exótica invasora no ecossistema onde ele não é ativo é muito perigoso. E o impacto pode ser enorme.

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“Assim como outras espécies exóticas, eles não são reconhecidos pelas presas e predadores, e isso representa alimento fácil, pois se aproximam e os animais não se defendem tentando fugir, nem atacam. Essa mesma espécie do Indo-Pacífico, invadiu a região do Caribe, antes de chegar ao nosso país e o impacto foi enorme", explicou.

Do que ele se alimenta?

O peixe-leão se alimenta de outros peixes, além de crustáceos e invertebrados. Esse animal exótico tem um apetite voraz e não é caçado por nenhuma outra espécie, o que faz a população desse invasor aumentar muito depressa, e aumentar sua distribuição. Situação que coloca em risco as espécies nativas.

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