Continua após a publicidade
Continua após a publicidade
CRISE ALIMENTAR

Lares de mulheres negras são mais afetados por insegurança alimentar

Estudo revela que 21,2% dos lares chefiados por mulheres negras têm insegurança alimentar moderada ou grave e outros 25,6% possuem insegurança alimentar leve

EBC Geral
05/08/2022 às 08:45.
Atualizado em 05/08/2022 às 09:04
Continua após a publicidade
Continua após a publicidade
© Arquivo/Agência Brasil (© Arquivo/Agência Brasil)

© Arquivo/Agência Brasil (© Arquivo/Agência Brasil)

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Um estudo realizado em Salvador por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) revelou que os lares chefiados por mulheres negras são os mais ameaçados pela fome: 21,2% deles têm insegurança alimentar moderada ou grave e outros 25,6% possuem insegurança alimentar leve.

Somadas as duas categorias, os dados indicam que preocupações em relação ao acesso à comida em quantidade e qualidade estão presentes em mais da metade desses domicílios.

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Os resultados do estudo constam de artigo científico publicado na edição de hoje (5) da Revista Cadernos de Saúde Pública, editada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Os pesquisadores trabalharam com uma amostra de 14.713 domicílios em 160 bairros da capital baiana. Um questionário com 62 perguntas foi aplicado de forma presencial e online. A coleta de dados ocorreu entre 2018 e 2020. Gravidade

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Os pesquisadores utilizaram a classificação da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia). A situação é considerada grave quando há ocorrência de fome ou quando a quantidade de alimentos para as crianças é restrita, moderada quando os alimentos para adultos são restritos e leve quando as pessoas não sabem se terão acesso à comida num futuro próximo.

Já a segurança alimentar se configura quando há acesso à alimentação em quantidade e qualidade. Essa situação está mais presente em lares chefiados por homens brancos. Em 74,5% deles, não há preocupações relacionadas com a comida.

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

A nutricionista Silvana Oliveira, uma das pesquisadoras que assina o artigo, explica que diversos estudos comprovam que a insegurança alimentar se relaciona com fatores socioeconômicos como renda e escolaridade. Ela pondera, no entanto, que eles não explicam tudo e a discriminação racial também deve ser considerada.

"As pessoas ainda têm uma visão que o lugar da mulher negra é no trabalho doméstico. São alguns estereótipos que estão associados, por exemplo, à falta de oportunidades de ter melhor renda. Mesmo que tenha a escolaridade igual a de uma mulher branca, a mulher negra tende a ter um salário menor porque paira no imaginário social que ela tem uma menor valoração", analisa.

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Segundo Silvana, para ter efetividade, as ações para combater a fome precisam estar associadas ao reconhecimento da desigualdade racial e ir além de medidas universais que desconsideram especificidades.

"As políticas públicas devem incorporar a interseccionalidade, que é esse olhar para as diferenças dentro dos grupos e para a interação entre os diferentes eixos de opressão. A desigualdade racial afeta toda a população negra. Mas também existem demandas específicas da mulher negra. E é preciso levar em conta essas demandas que estão sendo colocadas", diz. Desigualdade racial

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Embora a pesquisa tenha se debruçado sobre a realidade de Salvador, a nutricionista afirma que os resultados dialogam com dados que documentam a desigualdade racial no país.

Além disso, explica que o referencial teórico foi composto com estudos nacionais. "Considero que a pesquisa veio para somar e contribui para a discussão do quadro de insegurança alimentar não apenas de Salvador, mas do Brasil", afirma.

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Ao mesmo tempo, ela observa que as características específicas da capital baiana foram levadas em conta. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com aproximadamente três milhões de habitantes, Salvador tem 80% de sua população autodeclarada preta ou parda.

Dentre os 14.713 domicílios que compuseram a amostra da pesquisa, a maioria (50,1%) tinha como responsável uma mulher negra, seguida de homem negro (35,4%), mulher branca (8,3%) e homem branco (6,2%). "Apesar de ter uma população majoritariamente negra, Salvador tem uma desigualdade muito profunda que não foi enfrentada", finaliza Silvana.

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Edição: Kleber Sampaio Fonte: EBC Geral

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade
Continua após a publicidade
Continua após a publicidade
Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

O Portal Costa Norte é um dos veículos de comunicação do Sistema Costa Norte de Comunicação, empresa que atua no litoral paulista há mais de trinta anos levando informação a toda a população com seriedade e imparcialidade.

Sistema Costa Norte de Comunicação© Copyright 2022Todos os direitos reservados ao Sistema Costa Norte de Comunicação.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por