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Com Jerominho, 56 políticos foram baleados no Rio

EBC Geral
05/08/2022 às 20:45.
Atualizado em 05/08/2022 às 20:48
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Reprodução (Reprodução)

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Assassinado na tarde de ontem (4), o ex-vereador carioca Jerônimo Guimarães Filho, conhecido como Jerominho, foi o 56º político baleado na região metropolitana do Rio de Janeiro nos último seis anos. Os dados são do Instituto Fogo Cruzado, que mantém uma plataforma e um aplicativo voltados para o monitoramento de tiroteios e seus impactos em centros urbanos. São reunidos diversos indicadores sobre violência armada, inclusive a ocorrência de mortos e feridos através do disparo de armas de fogo.

Os dados apontam que, dos 56 políticos baleados, 47 morreram e nove ficaram feridos. Somente neste ano já são três ocorrências, sem sobreviventes.

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Exercendo dois mandatos, Jerominho foi vereador entre 2001 e 2008. Ele foi vítima de uma emboscada de homens que estavam em um veículo branco e cercaram seu carro. Embora tenha sido socorrido e levado para o Hospital Oeste D’Or, o ex-vereador não resistiu aos ferimentos. Seu cunhado, o empresário Maurício Raul Atallah, o acompanhava e também foi atingido, e foi internado no Hospital Rocha Faria em estado grave.

Jerominho é apontado como um dos fundadores da Liga da Justiça, considerada a primeira milícia do Rio de Janeiro. O grupo atua na zona oeste e é acusado de homicídios, extorsões e comércio irregular na venda de água e botijões de gás. O ex-vereador esteve preso entre 2007 e 2018. Suas atividades também foram denunciadas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias, instaurada em 2008 na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

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Em dezembro do ano passado, foi novamente detido em operação da Polícia Civil, acusado de participação em extorsões a motoristas de transporte alternativo na zona oeste. Uma semana depois, no entanto, a prisão foi revogada. No início desse ano, ele chegou a anunciar sua pré-candidatura a deputado federal.

"No meio dessa mistura entre poder político e poder ilegal, crimes acontecem", diz a socióloga Maria Isabel Couto, diretora de programas no Instituto Fogo Cruzado. Segundo ela, a zona oeste precisa de uma atenção especial porque grande parte dos bairros sofre com a atuação de milícias. Maria Isabel afirma que há atualmente um racha na Liga da Justiça, que ainda é o principal grupo. "Precisamos pensar a política de segurança a partir das dores da população e dos impactos da violência armada", pontua.

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Dados do Instituto Fogo Cruzado também chamam atenção para os disparos contra políticos na Baixada Fluminense, que integra a região metropolitana do Rio de Janeiro e é composta por 13 municípios. Um relatório divulgado há cerca de dois anos mostrou um cenário preocupante. A Baixada Fluminense concentrava 76% desses crimes ocorridos na região metropolitana entre 2016 e 2020. Em maio desse ano, o ex-candidato a vereador em Nova Iguaçu (RJ), Rogério Nunes de Oliveira, morreu após dez dias internado em estado grave. Conhecido como Dudu da Kombi, ele também foi alvo de uma emboscada.

Edição: Aline Leal Fonte: EBC Geral

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