'ZARA ZEROU'

Código para alerta de entrada de negros em lojas da Zara é descoberto

Delegado afirmou que os funcionários eram orientados a identificar pessoas com estereótipos fora do padrão da loja

Da redação
21/10/2021 às 11:20.
Atualizado em 21/10/2021 às 11:58
Código foi descoberto durante investigações de uma delegada que foi vítima de racismo na loja (Reprodução)

Código foi descoberto durante investigações de uma delegada que foi vítima de racismo na loja (Reprodução)

Em investigação, a Polícia Civil do Ceará descobriu que a loja Zara do Shopping Iguatemi, em Fortaleza (CE), criou um código secreto para alertar funcionários quando pessoas negras ou com "roupas simples" entrassem na loja. O alerta era dado pelo sistema de som da loja, por meio do código "Zara Zerou".

O delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Sérgio Pereira, afirmou que os funcionários eram orientados a identificar pessoas com estereótipos fora do padrão da loja. A partir dessa identificação, pessoas negras ou com roupas simples eram acompanhadas de perto.

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O código, e outros detalhes da discriminação feita pela loja, foi descoberto durante investigação do caso envolvendo Ana Paula Barroso, uma delegada negra que, no dia 14 de setembro, foi proibida de entrar na loja da Zara. Um boletim de ocorrência foi registrado e, na ocasião, foi alegado que a proibição se tratava de uma "questão de segurança" do shopping.

Relembre o caso

Ana Paula foi impedida de entrar na loja pelo gerente português, Bruno Felipe Simões (32 anos). De acordo com ele, a delegada foi impedida porque estava usando a máscara de maneira inadequada.

As imagens das câmeras de segurança do shopping e da loja mostram que a delegada estava com a máscara abaixada porque tomava sorvete. Porem durante todo o resto do trajeto, sem o sorvete, ela fazia o uso correto da máscara.

Logo após ser barrada por Bruno, Ana Paula procurou a equipe de segurança do shopping e questionou a proibição e foi informada que não havia nenhuma proibição neste sentido. Durante investigações a Polícia Civil descobriu que não havia relação com uso da máscara.

Imagens de câmeras de segurança coletadas pela polícia, do dia em que a delegada foi barrada, mostram o gerente atendendo clientes brancas, que circulavam pela loja usando a máscara incorretamente.

Imagem de câmera de segurança (Divulgação/Polícia Civil)

Entidades do movimento negro ingressaram na Justiça do Ceará contra a rede de lojas Zara, pedindo R$ 40 milhões de indenização por dano moral coletivo.

Uma outra investigação sobre outro caso de racismo foi aberta após uma denúncia semelhante de outra cliente da Zara. O fato ainda está em fase de apuração.

“Em nenhum instante ela se identificou como delegada, isso precisa ser dito. Racismo é crime sutil, difícil de caracterizar. É importante ressaltar que a vítima teve esse zelo para que a gente conseguisse caracterizar o crime de racismo”, disse Vanessa Hiluy, delegada da Mulher que também participou da investigação

Pronunciamento da Zara

Em nota, a empresa diz que segue o decreto governamental em vigor que estabelece a obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes públicos. Qualquer outra interpretação não somente se afasta da realidade como também não reflete a política da empresa.

A Zara Brasil diz ainda que conta com mais de 1.800 pessoas de diversas raças e etnias, identidades de gênero, orientação sexual, religião e cultura. “Zara é uma empresa que não tolera nenhum tipo de discriminação e para a qual a diversidade, a multiculturalidade e o respeito são valores inerentes e inseparáveis da cultura corporativa.”

Mais de um mês após o ocorrido com a delegada, a empresa não informou se o gerente ainda continua fazendo parte da empresa.

Segundo a delegada da Mulher de Fortaleza, Manuela Lima, o processo se atém apenas ao suposto racismo praticado pelo gerente e não pode culpabilizar a Zara. "A loja tem responsabilidade civil pelos danos causados pelos funcionários, por qualquer tipo de dano moral de fala a alguém", explicou.

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