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Redação
Publicado em 22/03/2018, às 11h43 - Atualizado em 23/08/2020, às 16h37

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Saneamento básico ainda é a maior carência de Maresias

Em reunião, superintendente da Sabesp afirmou que 70% do saneamento do bairro serão concluídos em 3 anos

Jorge Mesquita/Tamoios News

Evento reuniu moradores e autoridades para apresentação de problemas, a balneabilidade da praia foi um deles

São Sebastião

Marina Aguiar

Moradores de Maresias, em São Sebastião, exigiram saneamento básico no bairro, durante reunião no Centro de Convenções do Beach Hotel Maresias, na tarde de quarta-feira, 21. Após constatarem a praia imprópria para banho durante semanas, e a região do baixio alagar durante todos os verões; a população reuniu-se para reivindicar melhor infraestrutura.

O encontro foi organizado conjuntamente pela Associação de Amigos da Praia de Maresias (Somar), com o apoio da Associação de Pousadas e Hotéis de Maresias (APHM); Associação de Amigos do Canto do Moreira (AACM); Associação de Surf de Maresias (ASM); Instituto Gabriel Medina (IGM); e Instituto Conservação Costeira (ICC). A vice-presidente da Somar Dircéia Arruda de Oliveira briga pelo saneamento básico há mais de 30 anos. Ela diz: “Nós temos várias frentes que brigam pelo mesmo direito, direito que está na Constituição”. Segundo Dircéia, a ocupação desordenada contribui para a má qualidade das águas. “Está aumentando o número de pessoas que não fazem fossa, que não se preocupam com a balneabilidade da praia. Me apavora ver crianças tomando banho nesse mar e no rio nessas condições. A Sabesp tem que assumir um compromisso com o bairro. Se você anda nas ruas de Maresias, o cheiro é insuportável, me envergonha chamar um turista pra cá com essas valas. Estamos na merda, literalmente. Tenho 80 anos e gostaria de ver o saneamento pronto antes de morrer”. Gustavo de Souza Leite, presidente do projeto SOS Maresias e membro da ASM, já foi vítima de doenças causadas pela sujeira das águas. “Eu trabalho na praia, com aulas de surfe; aqui tem o lençol freático muito baixo, quando chove, o esgoto vai para o rio e mar. Nesse ano, teve muito caso de virose, doença de pele. Eu fico muito tempo no mar e já peguei uma bactéria que demorou seis meses para sarar, um bicho geográfico quase necrosou minhas pernas”. O projeto SOS Maresias utiliza a hashtag para informar aos turistas e moradores sobre a situação de sujeira na praia. “Foi uma calamidade este verão, praia com bandeira vermelha durante quase todo o verão, muito lixo na praia, a prefeitura cortou a verba da Somar, que fazia a limpeza da praia. A gente conscientiza”, explicou Leite. A jornalista Marina Veltman ressaltou que o saneamento no bairro é inexistente, sendo que a praia, reduto do surfista Gabriel Medina, atende 40% do turismo da cidade de São Sebastião. “É a maior estrutura turística da cidade. De 2010 para 2016, a população fixa quase dobrou, mas os serviços básicos não dobraram. A área do baixio, entre a orla da praia e a rua do Forno, próxima ao morro, concentra 80% do bairro, e é a que mais sofre com as chuvas. Nosso lençol freático tem um metro da rua e transborda com qualquer chuvinha, mesmo que as casas possuam fossa e sumidouro”, explicou. Já na área de morro, a ocupação é desordenada e não possui fossas; todo o esgoto vai para as ruas do baixio. O superintendente da Sabesp no litoral norte José Bosco anunciou que está em tratativas com a prefeitura, para assinatura de um contrato de 30 anos entre os órgãos, com investimentos e controle operacional da água, esgoto, drenagem e resíduos sólidos. Bosco afirmou que, assim que o contrato for assinado, o saneamento básico de Maresias será a obra número 1. “Teremos duas etapas: na primeira, fase emergencial, queremos atingir 70% de cobertura em Maresias em três anos. Vai ser feito todo o sistema: estação de tratamento, as elevatórias de bombeamento, coletores, linhas de recalque e todas as ligações onde passam as tubulações”.

Longo prazo

Apesar do prazo de conclusão de 70% da obra ser de três anos, o processo não será concluído em 2021. O vice-prefeito de São Sebastião Amilton Pacheco adiantou que estamos em período eleitoral, portanto, o contrato só será assinado em janeiro do próximo ano. Após essa data, existe um prazo de seis meses para realizar o processo de licitação e, só então, iniciar a obra, no fim de 2019. A primeira etapa do projeto conta com investimentos de aproximadamente R$ 27 milhões, totalizando R$ 40 milhões ao final de todo o projeto.

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