Como o Uruguai se tornou um exemplo no combate ao coronavírus na América do Sul

Pandemia colocou grande parte do mundo em quarentena, mas o país conseguiu controlar a contaminação sem precisar deixar as pessoas obrigatoriamente em casa

Henrique Gear SEO
Publicado em 19/06/2020, às 10h23 - Atualizado em 24/08/2020, às 08h00

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Reprodução/Internet
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A pandemia de COVID-19 atrapalhou o econômico da maioria dos países e espalhou medo entre os cidadãos. Diversas nações se viram obrigadas a colocar a população dentro de casa, em confinamento social, para evitar a propagação do novo coronavírus e o colapso do sistema de saúde.

Algumas nações lidaram melhor do que outras com o problema, encontrando formas de proteger a economia e a população. É o caso do Uruguai, cujo presidente, Luis Lacalle Pou, assumiu o cargo no começo de março, há pouco mais de 10 dias do início das contaminações no país.

Até a primeira semana de junho, o país contabilizava 811 diagnósticos positivos, pouco mais de 20 mortos e 8 novos casos por dia, sendo considerado, pelo site Endcoronavirus.org, um dos locais que conseguiram vencer a pandemia — ou se encontram prestes a fazê-lo.

Atitudes diferentes

Para começar, o presidente não minimizou os impactos e o potencial da doença. Isso fez toda a diferença para que sua equipe de governo pudesse adotar estratégias que colocassem o país sob emergência sanitária e cuidados preventivos.

A quarentena, por exemplo, não foi obrigatória, apesar de as aulas terem sido suspensas e os eventos com aglomerações de pessoas forem proibidos. As pessoas receberam a recomendação de ficar em casa e manter o distanciamento social, obedecendo-as.

As fronteiras foram fechadas e os cidadãos testados. Para se ter ideia, estima-se que o Uruguai testou três vezes mais pessoas do que o Brasil, considerado um dos epicentros da doença no mundo.

A realização de testes em massa é importante para poder separar, ou mesmo isolar, os indivíduos que estiverem com o novo coronavírus do resto da comunidade, dificultando a disseminação da doença. Há muitas pessoas que testam positivo e são assintomáticas. Mesmo sem sentir nada, acabam espalhando a COVID-19.

Estabilidade econômica

A iniciativa privada foi incentivada e o presidente criou um seguro para ajudar os contribuintes que perderam o emprego ou que viram sua fonte de renda ser drasticamente reduzida por conta das medidas protetivas que a pandemia demandou. 

O salário dos servidores públicos e a pensão dos aposentados também sofreram reajustes para que todos pudessem receber uma renda honesta, sem onerar os cofres públicos de forma dramática.

Retomada gradativa

Com a situação da COVID-19 considerada controlada no país, algumas atividades passaram a ser retomadas aos poucos ao longo de todo o Uruguai. Escolas, escritórios e indústrias reabriram, enquanto algumas modalidades esportivas foram liberadas para serem praticadas ao ar livre. 

Os uruguaios colaboraram para que a situação fosse revertida rapidamente, mantendo o isolamento e as medidas de higiene recomendadas pelos órgãos de saúde. O cenário não foi negligenciado ou a doença subestimada. 

Não houve pressa para reabrir o comércio e o governo não sucumbiu à pressão dos empresários, ajudando a proteger os cidadãos e o sistema de saúde nacional.

O site Endcoronavirus.org destaca que manter as pessoas em lockdown pode prejudicar a economia, mas é a maneira mais eficaz de conter a disseminação da COVID-19. Os locais que afrouxaram a quarentena antes de atingir o ápice da doença pagaram um preço alto por isso. 

Milhares de vidas foram perdidas, casos de estresse e doenças mentais/emocionais aumentaram consideravelmente, houve sobrecarga dos sistemas de saúde e funerário e perdas econômicas ainda maiores do que se não houvesse o confinamento social.

Se o governo e os cidadãos não entram em consenso e agem conjuntamente, o controle da pandemia e as sequelas que ela traz só pioram dia após dia.

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