Trilha leve e fresca, à beira do canal de Bertioga, leva à ruínas históricas, na Ponta da Armação, divisa entre Bertioga e Guarujá

Escolheu a Prainha Branca, em Guarujá, no litoral paulista, como roteiro? No caminho aproveite para conhecer dois ricos elementos históricos do século XVI: as ruínas da Ermida de Santo Antônio do Guaibê, onde o padre José de Anchieta catequizou os índios tupiniquins e escreveu o livro Milagre dos Anjos; e as do Forte São Felipe, construído em 1557, com o objetivo de defender o Canal de Bertioga, em conjunto com a artilharia do Forte São João, em Bertioga.
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Basta pegar a trilha conhecida como caminho de baixo, que tem início ao lado da balsa de travessia Guarujá-Bertioga. Mas atenção: ao invés de seguir pela trilha calçada, que sobe e leva direto para a Prainha Branca, desça para a parte de terra e siga reto.
O caminho é plano, fresco e agradável, já que é todo coberto pela vegetação de Mata Atlântica preservada e beira o canal de Bertioga, uma boa dica, também, para quem gosta de pedalar em trilhas.
A primeira bifurcação sobe de encontro à trilha da Prainha Branca, continue reto e você chegará à Ermida. Mais à frente, um conjunto de casas e um barzinho, a Toca da Garoupa, onde é possível refrescar-se e até fazer um lanchinho, depois é só seguir que chegará às ruínas da fortaleza.
Acredita-se que esta seja uma das primeiras igrejas do Brasil, construída por volta de 1560, por José Adorno, e seria usada por jesuítas para catequizar indígenas.
Atualmente, o acesso é feito por barco ou pela trilha próxima à travessia de balsas Guarujá-Bertioga. A construção da ermida é constituída por pedras com sambaquis e óleo de baleia com conchas.
Conta a história que nas ruínas da igreja teria ocorrido o chamado Milagre das Luzes, de José de Anchieta. A história contada é de que o padre, que costumava alojar-se no Forte São João e orava pela paz entre brancos e índios, certa noite foi levado à ermida para rezar e negou-se a ficar com o candeeiro oferecido pelo barqueiro.
Mais tarde, ouviu-se música e, ao abrir a janela da fortaleza, a mulher do barqueiro viu a igreja toda iluminada. Para homenagear o santo, todos os anos, no mês de junho, Bertioga promove a celebração de São José de Anchieta com encenação do Milagre das Luzes e saídas de barco pelo Canal de Bertioga, do qual os espectadores podem assistir a um ator declamando poesias do santo na área das ruínas.
Construído em 1552, para proteção do canal de Bertioga. Pouco existe da grande fortaleza de pedra, construída pelo capitão-mor Braz Cubas, hoje em ruínas, em frente ao Forte São João. Apenas resistiram ao tempo as muralhas de granito, uma guarita, que marca o ângulo sul, e um poço interno.
O primeiro artilheiro do Forte de São Felipe foi o alemão Hans Staden, que ficou famoso, na época, pois, ao voltar à Europa, escreveu o livro Duas viagens ao Brasil, publicado em 1557. Segundo a história, ele quase foi devorado pelos índios tupinambás. Do século XVII ao XIX, o forte foi a sede do Real Contrato da Armação das Baleias, construída em 1748, onde eram recolhidos todos os apetrechos utilizados para a captura e processamento do óleo extraído do mamífero, utilizado para iluminação e construção.
Em 1798, a fortaleza passou por uma reforma geral. Hoje, restam apenas as muralhas, tombadas pelo IPHAN desde 1965, de onde se tem uma vista maravilhosa do mar aberto e de toda a orla de Bertioga.