Costa Norte
Publicado em 01/08/2014, às 17h05 - Atualizado em 23/08/2020, às 14h22
Por Marina Aguiar
Construídas irregularmente sobre linhas de transmissão subterrâneas, três casas foram demolidas no Jardim Vicente de Carvalho, na terça-feira, dia 29. Elas estavam enquadradas em uma reintegração de posse da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP); a empresa alega que as casas oferecem riscos para as famílias que vivem sobre as chamadas faixas de servidão. Os moradores do bairro criticam a demolição e pedem ajuda da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). O segurança Lucas dos Santos queixou-se: “Quando eles vêm para demolir nem avisam. Um tempo atrás, veio o povo da CDHU cadastrando as casas, mas quando as famílias são despejadas, geralmente não têm para onde ir. Não recebem nada da CDHU”. De acordo com a CTEEP, o processo de reintegração foi iniciado em 2002 com um acordo para que ocorresse a desocupação voluntária em 2007. Como os moradores não cumpriram o acordo, a companhia aguardou o mandado de reintegração de posse para despejar os moradores. De acordo com a CDHU, cerca de nove famílias estão envolvidas no processo. As famílias foram notificadas no início de 2013. Na época, os vereadores Alecrim, Alemão, Pacífico, todos do PROS, e Valéria Bento (PMDB), estiveram no local. Valéria lembrou que, na época, uma reunião foi realizada entre os quatro vereadores, e mais o diretor-executivo da prefeitura Ideval Gorgônio Primo, conhecido como Miranda, e o diretor regional da CDHU, Luis Carlos Rachid, na qual ficou definido que as famílias que se encontravam na faixa de servidão teriam preferência na entrega das casas da CDHU, ocorrida em dezembro de 2013. Rachid negou a informação e disse que não há como dar preferência a determinadas famílias, já que existe um cadastro a ser seguido. “Não houve esse comprometimento; vamos seguir a fila normalmente, sem dar preferência a ninguém”. Algumas famílias tiveram que sair de suas moradias para que fosse realizada a construção do conjunto habitacional Vicente de Carvalho II e conseguiram a preferência nas casas. “Existe a prioridade da obra, as pessoas que estavam na faixa do aterro foram colocadas no auxílio moradia”, disse Rachid. As pessoas que foram despejadas pela CTEEP também serão atendidas dentro da programação de execução das obras. O conjunto habitacional do Jardim Vicente de Carvalho entregará, em breve, 37 unidades e, em 90 dias, mais de 100 unidades. De acordo com a CDHU, ao longo das entregas, tanto as pessoas da faixa de servidão quanto os que se encontram em área de mangue serão contempladas.