Transposição de rios preocupa população

Costa Norte
Publicado em 26/06/2015, às 09h23 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h47

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Prefeito reuniu-se recentemente com a Sabesp para discutir o tema

Por Mayumi Kitamura

O Comitê de Bacias Hidrográficas da Baixada Santista (CBH-BS) realizou, na segunda-feira, 22, uma oficina participativa para detectar as prioridades de aplicação de recursos no Plano de Bacia Hidrográfica 2016-2027. Bertioga foi o primeiro, de três municípios, a receber a reunião e os ânimos se exaltaram quando abordada a transposição de rios que deságuam na cidade, para abastecer a Grande São Paulo. Além de críticas quanto à transposição em si, a falta de transparência foi um dos aspectos levantados pelos presentes.

O objetivo da oficina participativa pretendeu que os munícipes elencassem as prioridades de acordo com o que já foi levantado em 2013, no diagnóstico da bacia, contudo, as mudanças ocorridas desde então suscitaram o debate. Os participantes argumentaram que as prioridades mudam, havendo ou não a retirada de água dos rios, por isso, impossibilitaria a escolha dos tópicos elencados nas discussões realizadas há dois anos. Entretanto, de acordo com Raphael Machado, diretor da VM Engenharia, empresa contratada para a elaboração do plano, novas demandas e prioridade poderiam ser acrescentadas para integrar o documento. Disse ele: “O Alto Tietê precisa de água, a Baixada Santista tem, mas não quer ficar sem água no futuro, então existe um conflito grande que surgiu hoje aqui nessa reunião. Várias pessoas se exaltaram bastante, criticando esta situação – e eu acho que é muito legítima. Nós vamos levar isso para dentro do plano, mas é algo que não tinha em 2013, por causa da escassez”.



A secretária executiva do CBH-BS Maria Vanda Iorio destacou que a transposição de rios, como o Itatinga e o Itapanhaú, constam no Plano Diretor de Aproveitamento de Recursos Hídricos para a Macrometrópole Paulista: “Nós, na condição de moradores litorâneos, temos a preocupação de que, se realmente houver algum tipo de transposição como consta do Plano da Macrometrópole, nós temos que tomar este cuidado, para ver como fica a situação da Baixada neste sentido. Para isso, o CBH tentará, caso aprovado por todos, e pelo próprio comitê, traçar um estudo do rio Itatinga, para ver sua real capacidade, sem ser aquilo que hoje nós conhecemos, para verificar se tudo isso é possível”.

Situação da bacia hidrográfica

Outro ponto de discussão durante a oficina participativa referiu-se ao diagnóstico da VM Engenharia, encaminhado ao comitê de bacias do Alto Tietê. O documento, segundo afirmado na reunião, está em posse também da Cetesb e do Departamento de Esgoto e Água (DAE) e revela a disponibilidade hídrica da bacia da Baixada Santista.



Apesar de não ter faltado água na região, a situação é de alerta, segundo aponta Raphael Machado: “O sistema, atualmente, suporta. Existe um planejamento da Sabesp, para atender a Baixada Santista no futuro, e, de acordo com nossos cálculos, foi bem conduzido, o grande alerta é: será que o grande Tietê vai nos tirar água?” Para ele, este é o cerne da questão, já que, eventualmente, o Sistema Alto Tietê precisará de água da Baixada Santista, em particular, de águas que deságuam em Bertioga e em Itanhaém.

Há duas semanas, o prefeito de Bertioga Mauro Orlandini reuniu-se com o superintendente da Sabesp na Baixada Santista, João Cesar Queiroz, e o gerente da companhia na cidade, Rogério Osti, para discutir as possíveis condições da transposição dos rios. Orlandini questionou: “O que significa? Qual o momento disso, como será feito, qual o armazenamento que será feito? Por que não solucionar a falta de água para São Paulo, por exemplo, em detrimento de Bertioga? Se isso foi conciliado, nós poderemos deixar de ter enchentes na nossa região. O que faz enchente aqui pode servir de água para que as pessoas usem e bebam, até. Eu acho que este estudo tem que ser feito com o pé no chão”.

Durante a oficina, a VM Engenharia informou que o diagnóstico encaminhado ao Comitê do Alto Tietê seria disponibilizado no site do CBH-BS ( http://www.sigrh.sp.gov.br/cbhbs/documentos ). A previsão é de que o documento esteja acessível até o fim de semana.