Costa Norte
Publicado em 31/01/2014, às 14h02 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h27
Por Mayumi Kitamura
Ectoparasitas são transmissores de doenças que podem levar à morte animais e humanosAlguns moradores de Bertioga reclamam da dificuldade em combater e eliminar pulgas e carrapatos, que infestam os animais e as residências. O maior problema é que estes chamados ectoparasitas transmitem doenças que podem levar não apenas à morte de cães e gatos, mas também o homem corre este risco. O pescador Enedino de Souza, morador da Vila Tupi, enfrenta uma verdadeira infestação em sua casa, e não encontra solução. Ele conta que, diariamente, retira aproximadamente 100 carrapatos de suas duas cadelas, mesmo utilizando produtos para este fim. Enedino comenta que, devido à dificuldade no controle da infestação, os carrapatos subiram até a sua casa, que fica no piso superior do imóvel assobradado. “Eu uso carrapaticida no ambiente, espalho por todo o quintal e, dois dias, depois os carrapatos voltam. Este é o primeiro ano que isto acontece”, relatou. Durante a reportagem, o pescador retirou mais de quatro carrapatos de cada cadela apenas para mostrar o grau de infestação. Apesar de ambas terem passado por uma limpeza durante a madrugada, os cães continuaram visivelmente infestados. Enedino comentou que seu vizinho também está com o mesmo problema, e chamou uma empresa para fazer a dedetização.
Riscos A importância da eliminação das pulgas e carrapatos justifica-se por eles serem agentes transmissores de doenças que podem ser fatais. A veterinária Rafaela Cassaniga alerta que é necessário reforçar os métodos preventivos, como a aplicação de medicamentos antipulgas e carrapatos, que agem não apenas no animal, mas também no território. “Às vezes, mais de 90% dos parasitas estão no ambiente; o carrapato é um aracnídeo, ou seja, comporta-se como aranha. Então em todos os buracos; restos de materiais de construção e entulho favorecem a hibernação, reprodução e alojamento destes seres”, explicou. Ela conta que há um surto das doenças transmitidas por carrapatos, não apenas no litoral, mas na capital, justificado pelo tempo quente, que exige mais atenção. “Eu estou atendendo muitos animais com doenças secundárias, como dermatite, otite, cistite e conjuntivite. Qualquer doença, ainda que não pareça tão grave, eu peço um hemograma para o animal porque, muitas vezes, a doença do carrapato dá leucemia, baixa a imunidade e ele pega infecções secundárias”. É importante que o dono do animal fique atento a qualquer alteração no comportamento, como apatia, falta de apetite e sintomas como vômitos e sangramentos. A veterinária lembra que pulgas e carrapatos são transmissores de doenças também aos humanos. A chamada peste negra, que dizimou metade da população europeia em meados do século XIV, tem a pulga como um transmissor e a febre maculosa, que até pode causar a morte, é transmitida pelo carrapato. “É muito perigoso. O parasita que está no ambiente não pega só o animal, mas também o ser humano. O médico veterinário deve orientar a família para se proteger contra estas doenças, e não apenas pensar no cuidado com o animal. Este é o maior papel do veterinário”, reforçou Rafaela.