Salários atrasados voltam à tona em audiência pública da saúde

Costa Norte
Publicado em 03/10/2014, às 17h33 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h36

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Casa cheia em reunião tensa, com mais de três horas de duração. Secretário de Saúde respondeu aos questionamentos

Por Marina Aguiar

Nove médicos do Hospital de Bertioga pediram explicações sobre os salários atrasados de julho e agosto, durante audiência pública sobre saúde. A sessão, realizada na noite de segunda-feira, 29, na Câmara Municipal, destinou-se à apresentação dos gastos da secretaria, referentes ao 2º quadrimestre de 2014. Foram mais de três horas de discussões e os parlamentares também foram sabatinados pelo Conselho Municipal de Saúde. A representante dos médicos, a pediatra Elizabeth Guidini, exigiu respostas da prefeitura: “Vim em nome de 40 médicos ou mais, que assim como eu, foram desrespeitados nos seus direitos. Estamos sem receber nosso salário, mas continuamos a trabalhar”. O médico Ailton Teles também se mostrou indignado com a situação: “Nós trabalhamos e arcamos com os custos para isso. Sofremos com a alteração de nosso orçamento. Isso nos desestrutura”. O secretário de Saúde Manoel Prieto Alvarez afirmou que a responsabilidade do pagamento é da antiga gestora do hospital, a Fundação ABC. “Os valores combinados foram repassados à Fundação ABC. Repassamos R$ 5,5 milhões referentes a diferenças de atendimento, mas, como foi dito anteriormente, os encargos trabalhistas são de responsabilidade da empresa gestora”, explicou. De acordo com nota divulgada pela prefeitura em 11 de setembro, a Fundação ABC cobrou repasse de R$ 1,8 milhão do município para recolhimento de multa de 50%, referente ao Fundo de Garantia dos Funcionários. O secretário afirmou, durante a audiência, que este valor ainda está sendo analisado. Para receber os salários, os médicos foram orientados pelo secretário a processar a Fundação ABC. “Se eu pudesse, pagaria a dívida que a Fundação deixou para solucionar o problema, mas não podemos fazer isso sem uma negativa da empresa”, desabafou o secretário. Os membros do Conselho Municipal de Saúde criticaram a falta de fiscalização dos parlamentares e citaram o abandono da UBS do Maitinga, prevista para ser inaugurada em dezembro de 2011; depois adiada para setembro deste ano, e que, até o momento, continua sem uso. Em contrapartida, o vereador Alfonso Dari Weiland (PROS) alegou que os vereadores não têm tanto poder como supõem os conselheiros. Já o membro do Conselho, Paulo Braga de Oliveira, rebateu dizendo que, por lei, o vereador tem o dever de fiscalizar e é pago para isso. Tatiane Pereira da Silva é portadora de lúpus e faz tratamento no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Ela utiliza o transporte de remoção da Secretaria de Saúde de Bertioga duas vezes por mês, mas disse que teve dificuldades nas últimas cinco vezes em que precisou do mesmo. “Minha consulta acaba às 13h30, mas o motorista só fica até às 13 horas. Teve cinco vezes que eu fui para São Paulo, remarquei a consulta e tive que ir embora. O motorista só diz que ‘são ordens do Manolo’ (secretário de Saúde)”, reclamou Tatiane. Tatiane também precisa passar por um oftalmologista, em decorrência de um problema originado por um medicamento. De acordo com a dona de casa, ela não consegue marcar o exame em Bertioga. O secretário de Saúde prontificou-se a ajudá-la e passou o número de seu celular para que ela entre em contato sempre que precisar.