População reclama de abusos cometidos por moradores de rua

Costa Norte
Publicado em 12/12/2014, às 15h57 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h39

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Número de pessoas em situação de rua aumenta a cada dia na cidade

Por Mayumi Kitamura

Os abusos cometidos por moradores de rua estão colocando um fim à sensação de segurança em Bertioga já que, entre os relatos apresentados à reportagem, destacam-se as tentativas de furto, com aumento expressivo nos últimos dois meses. Um dos munícipes, que não quis se identificar, reclamou de descaso por parte da prefeitura, pois não obteve qualquer retorno a suas denúncias. Segundo ele, os moradores de rua chegaram a abrir a bolsa de sua mulher para conseguir dinheiro.“É uma invasão de desocupados e, agora, com a temporada, vai ser pior ainda. Minha esposa trabalha e eu tenho que ficar de guarda, à noite, quando ela chega”. Na visão deste morador do Centro, a rua onde fica sua casa, na região central da cidade, tornou-se uma “verdadeira cracolândia” e, conforme relata, é comum encontrar materiais utilizados no consumo de droga jogados no chão. “Eu estou sendo incomodado porque eles fazem bagunça, tráfico de drogas... Eu contei, são 14 desocupados. Eles colocam colchão, sofá, cozinham na rua. Eu fui inúmeras vezes - não foi uma só vez - falar com o coronel Brandão [secretário de Desenvolvimento Social], tentei falar com a Elaine, assistente social, liguei até para a polícia quatro vezes e não fui atendido nenhuma vez”. A constatação do problema não é recente na Baixada Santista já que, em junho de 2012, o Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb) divulgou a primeira pesquisa metropolitana sobre a população em situação de rua, com dados alarmantes. Em uma semana de levantamento de informações, nas nove cidades da região, fora do período da temporada, os pesquisadores constataram que 17% dos moradores de rua sobrevivem por meio de atividades ilícitas. Ainda, segundo o estudo, 84% destas pessoas são viciadas em álcool e outras drogas. Na noite de quarta-feira, 10, próximo à rotatória das avenidas Anchieta com a 19 de Maio, um grupo de moradores de rua chamou a atenção do fotógrafo Thiago Prado, que quase testemunhou uma tragédia. Ao passar pela ciclovia, os homens tentaram abraçar uma mulher, mas não imaginavam que o marido estava perto do local e armado. A sorte é que, apesar de apontar a arma de fogo contra a cabeça do desconhecido, no final, ele não efetuou o disparo. No mesmo dia e local, a assistente de produção Aline Pazin também foi atormentada por um dos moradores de rua deste grupo. Ao caminhar pela calçada, ela notou que um deles começou a segui-la e, em seguida, tentou pegar sua bolsa. Imediatamente, ao ameaçar chamar a polícia, ele se afastou. A reportagem solicitou à prefeitura uma entrevista com o secretário de Desenvolvimento Social Trabalho e Renda, Ailton Brandão, para abordar o assunto, contudo, não obteve retorno da assessoria de imprensa. No entanto, no dia seguinte, a prefeitura divulgou um texto sobre o tema, no qual pede à população que denuncie possíveis transportes de moradores de rua de outras cidades. “De acordo com o secretário de Segurança e Cidadania de Bertioga, Eduardo Silveira Bello, a GCM já está orientada a abordar moradores em situação de rua para verificar documentação. Caso seja constatada ausência de documento de identificação, esses serão levados à Delegacia de Polícia para apuração”. Ainda, segundo o texto, o município realiza periodicamente uma força-tarefa, composta pelas secretarias de Desenvolvimento Social, Segurança e Cidadania; Saúde; Guarda Civil Municipal (GCM) e Polícia Militar. “A operação em conjunto visa encaminhar as pessoas para atendimento social e de saúde, além de identificá-las e verificar se há, entre esse público, procurados pela Justiça e se seus nomes constam na lista de pessoas desaparecidas. A cada força-tarefa realizada, eles são recolhidos, é identificada a procedência e, caso seja de vontade deles, são encaminhados para o município de origem. Neste caso, a Assistência Social da Prefeitura de Bertioga elabora um documento com todos os dados da pessoa e com o endereço de algum parente na cidade para a qual o morador de rua será repatriado. Só então é providenciado o transporte”. No texto, a prefeitura ainda solicitou que os munícipes que flagrarem ação semelhante, que denunciem à GCM, por meio do número 153; Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda, pelo telefone 3317 6634; ou para a Polícia Militar, pelo número190.