Costa Norte
Publicado em 31/03/2012, às 04h55 - Atualizado em 24/08/2020, às 00h59
Por Eliana Cirqueira
Quatro pessoas foram indiciadas por homicídio culposo (sem intenção de matar) nesta quinta-feira (29), pela morte da menina Grazielly Almeida Lames, de três anos. O inquérito foi concluído essa semana. A menor foi atingida na cabeça por uma moto aquática, no período de Carnaval, enquanto brincava na areia da praia de Guaratuba, em Bertioga, acompanhada da mãe. Socorrida, ela teve traumatismo craniano e não resistiu aos ferimentos.
O caso começou a ser investigado pela Delegacia de Bertioga e depois foi transferido para a Seccional de Santos. O advogado da família da vítima informou que os pais de Grazielly irão pedir uma indenização pelo acidente, no valor de R$ 10 milhões, sendo metade para os pais do adolescente que dirigia o jet ski e a outra para os empresários, proprietários da moto aquática. O menor que estava conduzindo o equipamento também deverá responder pelo ocorrido, como ato infracional e será submetido à avaliação da Vara da Infância e Juventude.
Indiciados
Foram indiciados: o dono da moto e proprietário da mansão, José Augusto Cardoso Filho, que é padrinho do menor de 13 anos e autorizou a utilização do equipamento pelo adolescente; o caseiro da residência, Elivaldo Francisco de Moura, que abasteceu o veículo e o levou até a praia; o dono da marina onde a moto náutica era guardada, Thiago Veloso e o mecânico Ailton Bispo de Oliveira. Ambos haviam feito manutenção no aparelhamento, dias antes do acidente.
Perícia
Segundo resultado da perícia realizada no equipamento, a moto apresentava um problema de oxidação num dos eixos (uma peça responsável pela aceleração), o que poderia ter contribuído para o acidente. Apesar de ter sido alvo de manutenção do mecânico, junto com o proprietário da marina, o equipamento ainda apresentava o problema, por falta de lubrificação da peça.
Família da vítima
De acordo com o advogado da família da vítima, José Beraldo, a expectativa dos parentes é de que o Ministério Público indicie mais pessoas pelo acidente. Sobre a ação de indenização, ele afirmou que “considerando que Grazielly foi morta daquele jeito, sem poder sonhar com a própria vida e a maneira brutal com que ela perdeu a vida, considerando que o caso causou comoção no Brasil e que os pais estão com uma ferida que jamais será cicatrizada, e ainda, o poder aquisitivo dos empresários e dos pais do adolescente infrator, após estudo profundo, concluí que é perfeitamente viável ingressar com ação de indenização contra os pais do adolescente e os empresários, pedindo R$ 5 milhões para cada.”
O hospital
O representante legal da família ainda contou que está sendo estudada a possibilidade de ingresso de ação de indenização por danos morais contra o Estado, por omissão e demora no socorro. “E por terem levado a criança para um hospital sucateado. Eles tinham condições de ter levado [Grazielly] para um lugar melhor e que poderia ter salvado a vida da criança”, completou.
Para dirigir uma moto aquática, é preciso ter 18 anos ou mais e ser habilitado para a atividade.