Costa Norte
Publicado em 15/09/2013, às 06h59 - Atualizado em 23/08/2020, às 14h06
Por Antonio Pereira
Palê Zuppani destaca o papel do paciente, do médico, e da família durante o tratamentoUm hotel em frente à praia, uma reunião do Rotary Club e uma palestra sobre a importância em ser doador de medula óssea. O protagonista do encontro, realizado nas instalações do La Naila Praia Hotel, no bairro Rio da Praia, em Bertioga, na noite de quarta-feira (11), foi o fotógrafo bertioguense Paulo Eduardo Zuppani, o Palê, diagnosticado com leucemia (um tipo de câncer que atinge a corrente sanguínea), em julho de 2010. Ele passou por dois rigorosos tratamentos de quimioterapia, e está, há um ano e três meses, em fase de adaptação do corpo às novas células provenientes da última das duas transfusões às quais foi submetido. “Foi um tratamento longo, mas meu corpo reagiu muito bem a todas as etapas, apesar de um desgaste ou outro. Durante a quimioterapia, cada pessoa tinha uma função. O médico cuidava do meu corpo, eu da minha mente, minha família dava suporte e todos nos ajudávamos”, contou Palê, 30 anos de idade. Pelo período de dois anos, durante o tratamento, o peso dele variou, dos 80 quilos iniciais, até 120 kg, estabilizando nos atuais 73 kg. Durante a palestra, o fotógrafo explicou como o lado psicológico o ajudava, e isso pode ser visto inclusive pela internet, em vídeos publicados durante o tratamento. O principal deles, intitulado Apenas um capítulo, ultrapassa a marca de 10 mil visualizações no youtube. “Foi um período de muitos aprendizados, mas o principal deles foi, sem dúvida, a não me importar tanto com algumas opiniões que, muitas vezes, as pessoas formam sobre nós”, contou ele. Quando fala dos medos, Palê destaca a convivência e, não, a superação. “Quando eu passei pela primeira transfusão, eu tinha comigo o medo de ter leucemia novamente e, isso realmente aconteceu; hoje posso dizer que esse medo é administrável.” Questionado sobre o tratamento por pessoas que iniciam um, o palestrante sempre aponta os dramas vivenciados. “Quando eu conversei com o meu médico pela primeira vez, ele me deu um susto e acho que isso me ajudou muito a entender as coisas; não sei se é o melhor jeito, mas é o que deu certo comigo.”
De grande valor A palestra Contando Histórias, com Palê Zuppani, foi uma realização do Rotary Club Bertioga Canal; o presidente da entidade Erivaldo da Silva Feitosa falou sobre a importância em divulgar histórias como esta. “Eu particularmente não o conhecia, mas o conteúdo apresentado na palestra é de grande valor e o Rotary está disposto a apoiar esta causa da doação de medula”, afirmou Feitosa. A próxima explanação oficial de Palê será na Câmara Municipal de Petrópolis (RJ), no próximo dia 26, às 16 horas.
Para doar Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), qualquer pessoa com idade entre 18 e 55 anos, com boa saúde, pode ser um doador. O candidato preenche um formulário com dados pessoas e é coletada uma amostra de sangue de 10 ml para testes, sendo que estes testes determinam as características genéticas necessárias para a compatibilidade entre doador e receptor. A chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de uma em 100 mil. O cadastro deve ser feito no site do Ministério da Saúde.