Famílias em situação de risco esperam chave de casa própria da CDHU

Costa Norte
Publicado em 06/03/2015, às 17h58 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h42

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Mulheres relatam situação precária vivenciada na rua Um

Por Marina Aguiar

O Conjunto Habitacional Henrique do Carmo, construído pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) no Jardim Vicente de Carvalho, em Bertioga, já foi alvo de diversas reclamações, por parte da comunidade local. A maioria delas envolve a entrega de casas com pouca estrutura. Dessa vez, moradores do bairro, cadastrados no projeto, reclamam da ausência de auxílio aluguel e da demora em receber as chaves da tão sonhada casa própria. No total, serão 400 moradias no conjunto, das quais 148 já foram entregues; 106 estão em obra e outras 146 estão em processo licitatório. Mas a pressa desses residentes da rua Um deve-se à situação precária em que vivem. A maioria mora em barracos, nas áreas de mangue do bairro e está exposta a doenças e perigos, já que não possui saneamento básico, iluminação e segurança. Maria das Graças é recicladora e reclama da sensação de abandono. “A gente não tem casa, nossa casa é um barraco. Eles tiraram as pessoas das áreas de risco e não nos tiraram, sendo que estamos no mangue”. A casa de Maria está pendente e com risco de cair. Ela relata que é comum encontrar cobras e outros animais dentro do barraco. A situação de Geise Kelly Silva de Santana é semelhante; ela mora com o filho, a mãe e o irmão mais velho. “O estado da minha casa está crítico, está tudo afundando, caindo, tenho medo dos bichos que entram aqui”. Além disso, Geise alega que o abandono do local atrai usuários de drogas e estupradores. A diarista Roberta Jesus Santos mora há 18 anos no final da rua Um e ainda não recebeu uma casa no conjunto habitacional. “As pessoas que moravam em casas boas ou tinham comércio já foram pro conjunto. Nós, que estamos em barracos caindo aos pedaços, não fomos contemplados”, disse a diarista. Sua vizinha Marta José Francisco é aposentada e sofre com reumatismo crônico. A casa dela alaga sempre que chove. “O pior é que não podemos fazer nenhuma reforma ou ajuste nas nossas casas porque a CDHU não deixa”, lamentou. Ela já pediu o auxílio-aluguel para sair desta situação, mas ainda não foi atendida. Elaine Leite Bartolomeu mora em uma das poucas casas de alvenaria que sobraram no local, o restante das casas começou a ser demolido, mas ainda há muitos escombros. “As casas estão formadas, só estão sem teto. Isso atrai usuários de drogas e bichos. Além disso, eles quebraram os canos das casas e a água fica vazando. É foco de dengue”, disse a ajudante geral. Elaine também não pode alterar nada no local. “Nem o mato eu posso cortar, tem condição de ficar aqui?”. A reportagem entrou em contato com a CDHU, e a assessoria de imprensa respondeu, por meio de nota, que a limpeza da área e a retirada de entulhos serão concluídas nos próximos quinze dias. Em relação ao auxílio-moradia, a companhia esclarece que o pagamento do benefício e a remoção de famílias seguem um plano de intervenção. A empresa de abastecimento também foi acionada para solucionar o vazamento em questão. Já sobre a ordem de retirada das famílias, a assessoria informou que todas as pessoas são cadastradas no mesmo período e as transferências para as casas ocorrem gradativamente conforme a execução de cada fase.