Costa Norte
Publicado em 11/10/2013, às 14h07 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h23
Por Antonio Pereira
Permissionários da orla da praia da Enseada acreditam que mudanças mais prejudicam que ajudamOs ambulantes de Bertioga estão receosos quanto ao atendimento da demanda de turistas no próximo verão. A preocupação acentuou-se após reunião entre os permissionários com representantes da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) e da prefeitura de Bertioga, realizada na manhã de terça-feira (8), no Paço Municipal. No encontro ficou estabelecido que, a partir de novembro, os permissionários dos carrinhos poderão utilizar apenas cinco conjuntos de mesas com quatro cadeiras em dias normais, dobrando o número aos finais de semana. Além disso, os comerciantes não poderão manter mesas desocupadas na faixa de areia, ficando sujeitos a multas de R$ 69,00 por metro quadrado ocupado indevidamente. Para Dênis Patrício, que mantém um carrinho na praia da Enseada, centro, há mais de 10 anos, o limite imposto comprometerá diretamente os lucros previstos para a temporada. “A gente se planejou o ano inteiro para o verão e, certamente, essa limitação não será boa para nós porque o giro do público será bem menor”, explicou ele, que considera 20 conjuntos o número ideal. Outro ambulante descontente com as mudanças, mas que terá de se adaptar, é Uelton Rodrigues de Almeida, o Careca, que trabalha há 23 anos, também na praia da Enseada, centro. “O turista, quando chega, quer logo ser atendido, até mesmo para aproveitar o sol, e, ao montarmos as mesas somente depois que eles cheguem, já compromete o nosso serviço. Acho que a prefeitura e o SPU devem entrar em consenso e entender que a demanda dos quiosques vai cair para os ambulantes”, citou.
Legislação A determinação da quantidade de mesas e cadeiras baseia-se no Decreto Municipal 185/95, alterado pelo 1156/06. Já a regra sobre a montagem dos equipamentos é baseada no plano estadual de zoneamento costeiro, a Lei Estadual1009/98. Segundo o coordenador substituto do escritório regional do SPU na Baixada Santista Luís Fernando de Melo Correia, a praia é um bem de uso público e, por isso, não pode ser delimitada para um uso futuro, conforme prevê a lei estadual. “A partir de agora, faremos, por três semanas, um trabalho informativo com os ambulantes de todas as praias da cidade para informá-los sobre a mudança, assim como aconteceu em Santos. O que acontecia anteriormente é que havia um bom senso entre as pessoas e, duas ou três mesas por carrinho não causavam nenhum constrangimento na praia, mas, como há dois anos a situação se agravou, optamos pela retomada da lei”, afirmou Correia Para o diretor de Abastecimento de Bertioga Odivaldo Nogueira Júnior, a reunião de terça-feira (8) foi importante por manter os ambulantes informados e precaver um ou outro equívoco. “Nós prevíamos 300 ambulantes nessa reunião e chegamos a esse número. Conseguimos passar as informações a eles e esperamos agora que se cumpram as determinações”, definiu. Ao final da reunião ficou proposto que os ambulantes criem uma comissão para tratar do assunto, a fim de que todos cheguem a um entendimento comum e que, sobretudo, cumpram o determinado em lei. 50 pessoas se colocaram à disposição para participar da comissão. Desse total, a Diretoria de Abastecimento selecionará 15 para fazer parte do grupo que representará os ambulantes nas discussões.
Temporada deverá ser sem quiosques
Por Antonio Pereira
E tudo indica que nesta temporada de verão, apenas os carrinhos ambulantes é que comercializarão alimentos e bebidas para os banhistas da Enseada. A prefeitura de Bertioga informou que a licitação dos novos quiosques da orla da praia, prevista anteriormente para acontecer até o final desse ano, ainda não aconteceu porque o Projeto de Lei Complementar (PLC) que trata do tema, enviado à Câmara Municipal, em março deste ano, ainda não foi votado pelos parlamentares. O secretário geral da Câmara Aude Muquer informou que o PLC encontra-se em tramitação e aguarda definição de data para entrar na Ordem do Dia da Casa. Segundo ele, o projeto não tem um prazo determinado para ser votado. Conforme o documento, apenas pessoas físicas ou empresas individuais poderão participar do ato licitatório, sendo que os antigos permissionários e os atuais ambulantes não terão privilégios. No espaço, poderão ser comercializados apenas produtos alimentícios e bebidas.