Costa Norte
Publicado em 06/09/2013, às 19h55 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h22
Por Antonio Pereira
Precariedade do local já pode ser percebida logo na fachadaA estrutura disponível no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Bertioga está longe de atender aos anseios da comunidade. Atualmente, o setor disponibiliza apenas um veículo para captura e remoção de animais de pequeno porte ao longo dos 490 km² do município. Vale lembrar que somente cães e gatos recebem vacinas e atenção regular dos nove funcionários do setor. Além disso, o prédio, inaugurado há menos de sete anos, no Parque Estoril, elenca uma série de defasagens estruturais, entre elas, desnível no piso, paredes rachadas e parte do teto escorada por vigas de madeira. O secretário da Saúde de Bertioga Manoel Prieto Alvarez, o Manolo, viajará para Brasília (DF), no próximo dia 18, em busca de uma verba parlamentar de R$ 300 mil para efetuar as reformas no CCZ. Segundo a chefe de seção de Zoonoses, a médica veterinária Maria Luisa Mazzucatto, os problemas apresentados no prédio existem devido à falta de atenção dos responsáveis pelo serviço na época da inauguração, ocorrida na gestão do então prefeito Lairton Goulart. Ela ainda ressaltou a falta de planejamento, que não contemplou o aumento populacional. Em 2006, Bertioga tinha pouco mais de 30 mil habitantes, hoje, a população ultrapassa 52 mil pessoas. “O canil e o gatil, por exemplo, deveriam ter piso azulejado e não ter sido construído em pleno cimento, o que seria mais prático para mantermos a limpeza do local”. Entre os meses de janeiro e julho, 1.800 animais, entre domesticados e de rua, foram tratados no local, segundo a veterinária. Apesar da precária infraestrutura, segundo dados do Instituto Pasteur, referência nacional no tratamento de zoonoses (doenças transmitidas aos homens pelos animais), o número de atendimentos realizados na cidade encontra-se dentro da média brasileira de, pelo menos, 10% de animais de pequeno porte sendo tratados. O CCZ estima que, em Bertioga exista uma população de 11 mil cães e três mil gatos.
Esclarecimento Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o CCZ não tem o poder de retirar os animais da rua. “Nosso trabalho é o de prevenir doenças. O que fazemos é a captura, a castração e a vacinação desses animais para que eles não transmitam doenças e nem se reproduzam”, afirmou Maria Luisa. Os animais de rua capturados ficam disponíveis para adoção durante duas semanas, na feira de adoção, que funciona às quartas-feiras, das 9 às 13 horas, em frente ao Krill Supermercados, no Jardim Albatroz, e no próprio CCZ, antes de serem recolocados no local onde foram encontrados, caso não consigam um dono. Procurada pela reportagem do Jornal Costa Norte, a presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (CMPDA) Regina Reiche confirmou os problemas estruturais, no entanto, recusou-se a conceder entrevista. “Nós já apresentamos algumas propostas como o Codevida, que é um projeto que acontece em Santos e visa uma separação de zoonoses e bem-estar animal, mas como nós sabemos, não existe um interesse por parte do poder público porque muitas pessoas não dão o valor real para o atendimento dos animais”, afirmou outro membro do conselho, a protetora de animais Maíra Eugênia Capellini.
Verba do CCZ Maíra conta ainda que o valor do orçamento destinado ao setor já foi solicitado inúmeras vezes nas reuniões do conselho, porém, não foi dada resposta. Em nota, a prefeitura respondeu que o valor total do orçamento municipal para 2013 foi de R$ 367.631.585,00 e que o valor orçado para a pasta da Saúde foi de R$ 69.140.860,00. O montante é superior aos 15% exigidos por lei (R$ 55.144.737,75). Quanto às despesas do Centro de Controle de Zoonoses, a prefeitura não precisou o valor, apenas informou que “são supridas pelos recursos da Secretaria de Saúde”. Os investimentos no CCZ estão contidos no Programa de Vigilância à Saúde, juntamente com outras ações importantes nessa área, como a Vigilância Sanitária, Epidemiológica, Controle de Vetores (dengue), etc. Na totalidade, os recursos para a implementação de programas de saúde e manutenção geral da Secretaria somam cerca de R$ 27 milhões (incluídas as despesas com pagamento de pessoal).
Grande porte Baseada na Lei Municipal 205/96, que proíbe a criação solta de animais de grande porte, a prefeitura de Bertioga intensificará, já a partir deste mês, os trabalhos de retirada de bois, cavalos e demais animais desse tipo espalhados pelas ruas da cidade. A retirada, no entanto, não será feita pela municipalidade, mas sim, pelos próprios proprietários destes animais, que passarão a receber multas, que podem chegar a até R$ 244,91, caso um animal seja encontrado solto nas vias urbanas. “Em Bertioga, não se pode sequer manter esses animais presos por não existir uma zona rural, mas podemos garantir que todos esses animais que se encontram soltos têm donos e, inclusive, alguns podem ser encontrados por conta de um trabalho de chipagem animal já realizado”, disse a chefe de setor.
Castração Dos 1.800 animais tratados, de pequeno e grande porte, 1600 passaram pelo procedimento de castração. De acordo com a chefe do CCZ, o procedimento deve ser feito antes dos seis meses de vida do animal e, além de possibilitar o controle populacional, o serviço ainda beneficia cães e gatos. “A castração evita o cio e tumores de útero e mama nas fêmeas”. A castração pode ser feita às terças e quintas-feiras, a partir das 8 horas, no próprio CCZ, na rua Manoel Gajo, 2.644, no Parque Estoril. São distribuídas 20 senhas por dia e, antes da cirurgia, os animais passam por consulta prévia para verificar possíveis problemas de saúde, como anemia, que podem impossibilitar o procedimento. “Nesses casos, os animais passam por tratamento”, explicou Maria Luisa.
Antirrábica A veterinária informou, ainda, que o CCZ realiza vacinação antirrábica de segunda a sexta, das 8 às 14 horas, em sua sede, de maneira permanente. Mais informações: 3316-4079.