Educação privada cresce em São Paulo e Bertioga também segue a tendência

Costa Norte
Publicado em 31/01/2015, às 09h51 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h41



Diretores Leonardo Penha Moreira, Sueli de Aquino e Maria Aparecida revelam maior procura

Por Marina Aguiar

[dropcap font="arial"]U[/dropcap]ma pesquisa do Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados), divulgada no final de 2014, mostrou que a educação privada vem crescendo no  estado de São Paulo. Em uma década, surgiram mais de 2.600 escolas particulares, número que corresponde a um crescimento de 36%. Em Bertioga não é diferente; existem cinco colégios particulares na cidade, e quatro diretores revelaram aumento no número de alunos.

Ao todo, são 1.390 alunos na rede privada, sem considerar o Colégio Caiçara, que não quis divulgar o número de matriculados para 2015. Para os diretores da rede privada, vários são os motivos que levam os pais a optar pelo ensino particular, dentre eles, a melhor qualidade de ensino; a falta de professores na rede estadual; e, ainda, a proximidade do vestibular, no caso de estudantes do ensino médio.



A diretora do Colégio Saber Maria Aparecida Silva Fernandes, há 19 anos em Bertioga,  e que utiliza o sistema de ensino Anglo, notou a diferença nos últimos quatro anos. Ela disse: “A procura é maior no ensino médio, devido a proximidade do vestibular”. A escola abriga 340 alunos e, atualmente, com 15 dias de aula, as vagas já estão esgotadas em todas as séries.

O Colégio Objetivo foi fundado em 2003 com apenas 30 alunos; hoje possui 350. Para a direção, o segredo é a atenção. Segundo Sueli de Aquino Lemos Zuccolotto, diretora pedagógica do Objetivo, “a quantidade de alunos por sala é menor, e os alunos recebem mais atenção dos professores; isso atrai os pais para as escolas particulares”.

O Colégio Metodista possui 400 alunos e a diretora Angela de Oliveira Nerys explicou que as famílias brasileiras estão priorizando a educação dos filhos. “O desejo de um resultado melhor no Enem, que amplie as possibilidades de colocação em instituições públicas de ensino superior ou dê acesso ao crédito estudantil, ou a aprovação nos processos seletivos das faculdades públicas, incentiva as famílias a investirem mais na educação básica da rede privada”.



Leonardo Penha Moreira, diretor pedagógico do Colégio Viver Aprendendo, acredita que a rede estadual seja o maior problema. “A educação municipal eu acho que não é um problema, é de boa qualidade. O problema é quando vai paro sexto ano; então, as mães procuram a rede particular, justamente por falta de professores na rede estadual”. A unidade conta com 300 alunos.

A advogada Fernanda Vilela acabou de se mudar para Bertioga e matriculou o filho em uma escola particular. Para ela: “a qualidade da educação é muito melhor. No ensino fundamental I, deixei-o em escolas municipais, porque acho até melhor do que as particulares, mas a estadual não tem comparação”. Ela considera que, nas escolas estaduais, os alunos aprendem as matérias com dois anos de atraso.

Embora a procura tenha aumentado nas escolas particulares, o ensino público ainda tem o maior número de alunos. Na rede municipal de ensino estão matriculados 7.365 alunos nos ensinos infantil e fundamental I. Já na rede estadual, são 6.639 alunos no fundamental II e ensino médio. Ou seja, 14 mil alunos nas redes públicas, para pouco mais de mil na rede privada.