Costa Norte
Publicado em 04/12/2013, às 12h33 - Atualizado em 23/08/2020, às 14h11
Por Marina Aguiar
Ideia era praticar surfe, mas, com o mau tempo, grupo realizou atividade culturalUm grupo de 35 deficientes visuais visitou Bertioga no último fim de semana (23 e 24). Eles integram o Centro de Apoio ao Deficiente Visual (Cadevi) e vieram de São Paulo para participar do V Encontro Náutico Louis Braille, evento que homenageia o criador do sistema de leitura braile. A ideia inicial era praticar surfe, mas, com o mau tempo do sábado (23) acabaram realizando uma atividade cultural: visitaram o Forte São João, no qual puderam aprender a história de Bertioga e do Brasil por meio de descrições detalhadas e do tato. Os responsáveis pelo Forte autorizaram os deficientes visuais a tocar em todas as esculturas e estátuas do local. “É a segunda vez que venho, mas sempre conseguimos aprender algo novo. Eu estava observando a bíblia que o padre Anchieta carrega na mão esquerda, percebo o detalhe das folhas do livro. Fico imaginando a habilidade do escultor”, declarou Lothar Pazanella. Ele também ressaltou o detalhe da curvatura do pé dos índios e afirmou que, poder tocar nos objetos, fez toda a diferença. Uma das integrantes do grupo, Gabriela Santana, de 28 anos, contou que nunca tivera essa oportunidade em outros museus de São Paulo. “Nunca deixaram a gente tocar nos objetos, só aprendíamos a partir das descrições dos guias, mas é muito diferente. Está sendo maravilhoso”, contou Gabriela. O presidente do Cadevi, também deficiente visual, Marcos Bernardo Rodrigues aprovou o lado cultural e histórico da cidade. “Nem sempre é valorizado, as pessoas preferem atividades recreativas, mas está sendo bem interessante.” “A descrição tem que ser detalhada com as cores, com o movimento dos quadros. Descrevendo os bichos, as roupas, as expressões”, explicou a coordenadora de esportes do Cadevi Carolina Robortella. Ela explicou que a oportunidade de tocar em estátuas, como a do Padre Anchieta, animou ainda mais o grupo. O prefeito Mauro Orlandini foi ao Forte acompanhar a visita. “Esse exercício acentua a questão da acessibilidade, que é tão necessária não só aqui, mas no mundo inteiro”.
Na água No domingo (24), a chuva deu trégua e os 35 participantes do Cadevi puderam aproveitar o mar, com a esperada aula de surfe. O presidente Rodrigues não conseguiu ficar em pé na prancha, mas não se abalou. “O surfe não é fácil, é uma coisa diferente para nós, mas foi muito bom, recomendo.” Depois do surfe, eles tiveram uma atividade na piscina do hotel onde se hospedaram, no bairro Indaiá. Alguns até aprenderam a nadar. “Foi a primeira vez que entrei na piscina, nunca tinha tido esse contato. Para mim foi maravilhoso, estou adorando”, afirmou Cleide Felisberto Ciberiano, de 30 anos. Essas e outras atividades são realizadas há cinco anos pelo Cadevi. Quem tiver interesse em participar do núcleo deve se inscrever no endereço: rua Heliotrópios, 338, Mirandópolis, em São Paulo, ou pelo telefone: (11) 5589-5241.