Bolsonaro pede nova investigação do caso Adélio Bispo

Para presidente, crime tem mandante

Matheus Alves
Publicado em 29/04/2020, às 11h10 - Atualizado em 23/08/2020, às 22h45



O presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta terça-feira, 28, que a Polícia Federal (PF), agora sob novo comando, reabra a investigação da tentativa de assassinato contra ele, na campanha eleitoral de 2018.

"Eu não tenho provas, tenho sentimento. O que for possível a Polícia Federal fazer, dentro da legalidade, para apaurar quem pagou o Adélio para me matar, vai fazer", afirmou a jornalistas.

As investigações da Polícia Federal concluíram que Adélio planejou e agiu sozinho no caso. No ano passado, a Justiça Federal considerou Adélio Bispo inimputável por transtorno mental. Bispo foi diagnosticado com transtorno delirante persistente e cumpre internação no Hospital Psiquiátrico de Custódia Jorge Vaz, em Barbacena (MG).



Bolsonaro voltou a dizer que não haverá interferência política e que apenas vinha cobrando do então ministro Sergio Moro acesso a relatórios de inteligência.

Para a Associação de Delegados da Polícia Federal (ADPF), não cabe à Polícia Federal fornecer relatórios diários ao presidente da República, mas à Abin.

"O ordenamento jurídico prevê que as atividades investigativas da Polícia Federal são sigilosas e somente os profissionais responsáveis em promovê-las é que devem ter acesso aos documentos. O mesmo se aplica aos relatórios de inteligência. Quando a PF, por meio de suas atividades de inteligência, toma conhecimento de fatos que interessam à tomada de decisões por parte do Governo, estas são compartilhadas pelo Sistema Brasileiro de Inteligência e seguem fluxo já estabelecido até chegar ao conhecimento institucional da Presidência da República, não havendo qualquer previsão legal de comunicações pessoais, gerais e diárias ao mandatário, função esta que é da Abin".



Texto escrito por: Pedro Rafael Vilela/Agência Brasil

"Chega de hipocrisia, não acredite nesse lenga-lenga. Se o interesse político for defender a nação, por que não interferir?", comentário feito por Enio Xavier, apresentador do Jornal da Praia.

Ainda durante o Jornal da Praia desta quarta-feira, 29, o empresário Ribas Zaidan comentou sobre o passado do Partido dos Trabalhadores. "Parece que eles (oposição do governo) tem memória curta. Ainda em 2002, mataram o Celso Daniel, um crime político. A Polícia Federal entrou no caso, juntou tudo, o ministro da justiça chamou o super intendente da Polícia Federal e demitiu o Diretor-Geral da Polícia Federal, e disse: Traz tudo para cá. E mais, sabe quem foi a delegada responsável pela apuração do caso? Elisabete Sato, sogra da filha do Lula. E no final, todas as testemunhas foram assassinadas. Se não dentro da prisão, fora da prisão. Isso sim é interferência política".