Atropelamento gera manifestação e queima de ônibus no Núcleo Ana Paula

Costa Norte
Publicado em 28/11/2014, às 18h52 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h38

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Por Marina Aguiar

O atropelamento de um senhor de 68 anos, morador do Núcleo Ana Paula, em Bertioga, provocou grande revolta nos moradores do bairro, na sexta-feira, 21. Francisco Gregório de Souza foi atropelado por uma viatura da polícia militar por volta das 20h30, deu entrada no Hospital de Bertioga, às 20h42, mas não sobreviveu. Por telefone, o major comandante da PM Rogério Silva Pedro, responsável pela operação, explicou que a viatura atendia uma denúncia de abandono de criança em um terreno baldio. “O senhor foi atingido pelo para-choque, pela lateral do carro. Se a viatura estava em alta velocidade nós ainda não sabemos, tudo isso está sendo apurado”, disse o major. Indignados, moradores do Núcleo abordaram um ônibus da Viação Bertioga, na avenida Anchieta, obrigaram os passageiros e o motorista a descer e atearam fogo no veículo. Os manifestantes interditaram a via e, quando a PM chegou ao local, houve confronto. O 2º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) foi acionado. Pedras e rojões foram atirados contra os policiais, que se defenderam com escudos. Populares afirmaram que a sirene e o giroflex (luz vermelha acima do veículo) da viatura estavam desligados. Em contrapartida, o major Rogério explicou que não é obrigatório o uso da sirene, apenas do giroflex, em ocorrências. De acordo com uma moradora, que não quis ser identificada, a população só protestou porque os excessos de velocidade são frequentes na via. “O senhor estava saindo do bar, atravessando na faixa, mas a viatura passou em alta velocidade e acabou batendo nele”, declarou. A vítima, aposentada havia três anos, fazia ‘bicos’ em obras nos arredores. De acordo com Francilene Maciel Souza, uma das filhas de Souza, o aposentado era muito querido no Núcleo, o que motivou todo o transtorno. Francilene destacou que ela e sua família não tiveram envolvimento no protesto. “Nós estávamos preocupados com meu pai, seguimos a ambulância de carro e voltamos às 2h30 da madrugada. Só soubemos da queima do ônibus e de toda a confusão quando estávamos fazendo o boletim de ocorrência na delegacia”. Francilene contou que seu marido tem um comércio na frente do local do acidente e presenciou tudo. “Ele estava lá e meu pai atravessou na faixa. Temos provas e agora vamos entrar com uma ação contra o estado e também contra o policial militar que dirigia a viatura. Meu pai quebrou o pescoço e agonizou na minha frente, isso não pode ficar assim”, desabafou. As polícias civil e militar investigam o caso. As chamas provocadas pelo incêndio alcançaram fios de energia elétrica e geraram um apagão no Ana Paula e em bairros próximos. A energia só foi reestabelecida por volta de uma hora da madrugada.