Atenção à dengue continua após término do verão

Costa Norte
Publicado em 04/04/2014, às 17h21 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h29

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Por Mayumi Kitamura

Imóvel na rua Afonso Pena recebeu prazo para a retirada de possíveis focos da dengue

O verão acabou, mas os cuidados com a dengue na cidade permanecem, já que a incidência de chuvas do período favorece a proliferação do mosquito. Em Bertioga, de acordo com informações da prefeitura, desde o início do ano foram registrados 240 casos suspeitos de dengue e 44 confirmados. Os trabalhos no combate ao mosquito ganharam um reforço com a capacitação de 16 voluntários que atuarão como agentes de prevenção e controle da dengue a partir desta segunda-feira, 7. Entre a população, nota-se que ainda há dúvidas sobre sintomas, diagnóstico e a própria doença. O pequeno Guilherme, de dez anos, passou o último fim de semana com dor na cabeça e nos olhos e, na segunda-feira, 31, após um passeio escolar, voltou para casa com o corpo coberto de manchas. Sua mãe Cláudia Ventura Guerreiro disse que levou o filho ao pronto-socorro no mesmo dia; o exame de sangue não acusou a doença, porém, o médico que o atendeu afirmou tratar-se de dengue devido ao resultado das plaquetas. “Como pôde dar resultado negativo? Por isso, como temos convênio, resolvi levá-lo a São Paulo, onde os exames deram positivo”, comentou a moradora da antiga Vila Tamoios, atual Centro. Ainda em Bertioga, ela mesma começou a sentir os sintomas da doença. O resultado de seu exame deve sair neste sábado, 5. Uma das regiões com maior índice de infectados é o antigo bairro Jardim Paulista, incorporado ao Centro após o abairramento, no qual, dos 44 casos confirmados, 18 são do local. O aposentado Juveniano da Silva é um deles, que contraiu a doença há cerca de um mês, e chegou a ficar 12 dias de cama. Ele relata que, somente na rua Afonso Pena, ele conhece quatro ou cinco pessoas que apresentaram sintomas da doença. Já o ambulante Olímpio Rodrigues Trindade, morador da mesma rua, não pegou dengue, mas conta que, devido a um tratamento de saúde, tem passado mais tempo na capital do que em sua casa. Familiares seus, residentes nas proximidades, ficaram doentes. “Da minha família, foram cinco doentes. Uns sararam logo, mas outros custaram mais. Aqui na minha casa, por exemplo, ainda não teve, mas o mosquito está atacando bastante”. O assunto foi levado à plenária da última sessão da Câmara Legislativa pela médica e vereadora Elisabeth Dotti Consolo. Ela disse que há uma grande dificuldade entre seus colegas médicos para diagnosticarem a dengue, principalmente, a dengue clássica, pois, muitas vezes, o paciente vai ao pronto-socorro e não há alteração no exame, apesar dos sintomas. “A dengue hemorrágica qualquer cego, morto, sabe ver porque altera o exame, isso é óbvio. A dengue clássica é que é o diferencial. O fato do seu exame não dar nada, não quer dizer que você não tem”. E reforçou a importância do repouso que, se não for realizado, pode evoluir para a dengue hemorrágica. “Então, por favor, quando for ao pronto-socorro, e o cara olhar na sua cara e disser ‘não é dengue’, não dê atenção. Volta dois dias depois e faz o exame. Tem rabo de gato, cheiro de gato, pelo de gato, mia e é cachorro? Não, é gato, é simples!”, disse a vereadora durante a sessão. De acordo com a prefeitura de Bertioga, os exames realizados em casos suspeitos de dengue são o de teste rápido para a dengue, hemograma e sorologia. São passíveis da aplicação de exames para determinar a doença quem apresenta febre alta (38º ou 39º) persistente, com dores nas juntas; cefaleia; dor no fundo dos olhos; e manchas vermelhas no corpo (exantemas). Podem surgir dores abdominais e vômito. Nos casos em que o exame de diagnóstico do vírus dá negativo, porém, a taxa de leucócitos e plaquetas apresenta-se abaixo do normal. A prefeitura informou que “o médico pode considerar como positivo, entretanto, somente o Instituto Adolfo Lutz determina a positividade”. O Ministério da Saúde estipula, como parâmetro, a confirmação de 300 casos para 100 mil habitantes para um município ser considerado em estado de epidemia de dengue. O melhor remédio para qualquer doença continua sendo a prevenção. E no caso da dengue, a recomendação é primordial. Dentre os obstáculos encontrados pela prefeitura no combate aos focos do mosquito Aedes aegypti estão os imóveis fechados, que representam cerca de 60% dos visitados, por amostragem, pelos agentes da Coordenadoria de Vetores e Dengue de Bertioga. Durante a semana, membros da Diretoria de Vigilância à Saúde visitaram um terreno na rua Afonso Pena, denunciado por manter veículos abandonados, além de outros materiais que podem se tornar focos do mosquito transmissor da dengue. A preocupação com o local é ainda maior devido à alta incidência da doença na região. Por se tratar de imóvel particular, o proprietário do terreno foi notificado no dia 1° de abril e recebeu um prazo de dez dias para a retirada do material que pode se tornar um risco à saúde. A prefeitura informou que, no terreno, não foram encontrados focos de dengue nos materiais recolhidos para análise. Em duas visitas feitas pela reportagem ao longo da semana foram retirados ao menos dois veículos que estavam abandonados. Segundo a prefeitura, em caso de suspeita de foco de dengue, há três possibilidades para a entrada em imóvel particular sem autorização prévia do proprietário: a existência de legislação que autorize os técnicos a entrarem (como existe em outros municípios); autorização por meio judicial, para isso a prefeitura deve entrar com processo; e se for considerado crime contra a saúde pública, sendo necessária a apresentação de evidências de que no local foi encontrado foco de dengue. Muitas viroses têm sintomas semelhantes aos da dengue, por isso, a importância do diagnóstico correto. Em fevereiro do ano passado, a morte de um menino de nove anos, morador do Rio de Janeiro, causou polêmica. No atestado de óbito da criança constava morte por meningite, contudo, o resultado de um exame de sangue específico (coleta de líquor), saiu após a morte do paciente e indicou que o menino tinha, na verdade, dengue. O Ministério da Saúde recomenda que, aos primeiros sintomas da dengue (febre, dor de cabeça, dores nas articulações e no fundo dos olhos), o paciente procure o serviço de saúde mais próximo e não se automedique. O alerta é que, usando remédios por conta própria, o paciente pode mascarar os sintomas e, consequentemente, dificultar o diagnóstico.

Quadro Os moradores devem fazer a sua parte, eliminando possíveis criadouros do mosquito, ou seja, qualquer local com água parada e limpa. Além disso, diante de qualquer situação de risco, o munícipe deve acionar o disque dengue pelo (13) 3317 6273, que atende de segunda a sexta-feira, das 9 às 16 horas. Denúncias e fotos de possíveis criadouros (piscinas, caixas d’água, entre outros pontos) também podem ser encaminhadas ao e-mail: dengue.bertioga@gmail.com. Os proprietários de imóveis de veraneio podem entrar em contato pelos mesmos meios para agendar uma visita dos agentes da dengue, inclusive nos fins de semana, colaborando para diminuir o índice de imóveis fechados e, consequentemente, do mosquito transmissor.